quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O brilho muito além dos livros

Especial: Cobertura da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre
Sentado em um pequeno banco de plástico, ele segura uma prancheta de madeira, sobre a qual coloca cuidadosamente uma folha de papel em branco. De uma lata de achocolatado bastante antiga, tira um lápis cujo tamanho denuncia o uso constante. A sua frente, uma menina, que aparenta ter no máximo 9 anos, segura um sorvete de chocolate. “O sorvete não, tá, tio? Só desenha até o pescoço.”

Silvio Miguel Alves é, pelo décimo ano, um dos inúmeros ambulantes que aproveita o movimento na Praça da Alfândega nos dias de Feira para lucrar. O caricaturista, além de desenhar com destreza os traços mais engraçados dos que arriscam se tornar uma caricatura, também faz retratos. “O movimento aumenta bastante na época da Feira. Eu estou sempre por aqui, mas época boa mesmo é agora. É hora de aproveitar”, afirma.

A poucos metros dali, Márcio e Karen Streck, de Canoas, observam um trabalho, no mínimo, curioso. Na placa que identifica o artista, a frase Escrevo quatro nomes em um grão de arroz. Enquanto aguarda a finalização da obra, que levará o nome do casal e de suas duas filhas, Karen, que visita o evento há mais de quinze anos, acredita que, além dos livros e dos autores, os artistas da Praça também são os grandes personagens da Feira. “É impossível vir para cá e não querer levar um livro. Mas existem lembranças que vão além da literatura e, daqui alguns anos, nos farão recordar que um dia estivemos aqui”, assegura.

Quem caminha pelas calçadas da 55ª edição da Feira já está habituado aos constantes anúncios dos alto-falantes. A voz feminina que ecoa pela Alfândega anuncia a presença de uma das mais antigas personalidades da festa dos livros: “Aproveite a Feira para tirar uma foto com o último lambe-lambe de Porto Alegre.” Varceli de Freitas Filho, que herdou a antiga máquina de seu pai, trabalha com fotografia desde os 12 anos. “A feira tem um glamour especial. São dias muito prazerosos, as pessoas contam que tiraram foto com o pai e que agora querem tirar com o filho”, conta, emocionado.

“Olha, filha, assim eram feitas as fotografias na época da vovó”. Segurando a mão da única
filha, a porto-alegrense Juliana Couto da Rosa aproxima-se de seu Varceli. A menina, bastante
surpresa, chega perto da grande câmera e a observa cuidadosamente. Para Juliana, Freitas é uma das marcas da Feira. "Vim para cá mostrar para a minha filha o último lambe-lambe. Não sabemos até quando Porto Alegre poderá dizer que tem o seu. Queria fazer com que ela entendesse um pouco do passado.”, diz.

As calçadas movimentadas da Praça da Alfândega são o palco de quem esperou o ano todo pelo evento cujo artista principal é o livro. Mágicos, pintores, contadores de histórias e pipoqueiros fazem transbordar, em cada um de seus gestos e palavras, a magia de um dos mais tradicionais acontecimentos da Capital. A Feira ganha um brilho especial por conta deles, que fazem a imaginação de cada visitante ir muito além das obras literárias.

A inclusão começa nos livros

Especial: Cobertura da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre
A inclusão social chegou à Feira do Livro de Porto Alegre. O mundo mágico da literatura cedeu lugar, nos estandes do evento, a obras que tratam de um assunto que nem sempre merece lugar nos expositores de destaque: a educação inclusiva.

As políticas públicas de inclusão social indicam uma tendência nas escolas públicas e privadas do país. A proposta de incluir, nas escolas de todo o Brasil, alunos com algum tipo de deficiência física ou mental fez nascer a necessidade de preparar professores e demais integrantes da equipe escolar para lidar a nova demanda. A resposta para as dúvidas de quem tem, em sua sala de aula, estudantes com alguma necessidade especial pode ser encontrada nos livros.

Na banca da Editora Mediação, que trabalha diretamente com professores, o livreiro Anderson Souza destaca o crescimento da literatura de inclusão nos últimos anos. “Os professores buscam compreender o universo desses alunos. É uma situação na qual não é apenas o aluno que precisa de ajuda. O professor necessita de amparo e, de certa forma, é isso que ele encontra nos livros.” Segundo Souza, títulos destinados a lidar com alunos surdos e autistas estão entre os mais procurados.

Denise Rüwer, de Novo Hamburgo, dá aulas em uma escola com três alunos portadores de necessidades especiais. A professora da 2ª série observa que, ainda que existam cursos de especialização para dar aulas a esses estudantes, os livros são importantes aliados na formação de profissionais bem preparados. “As obras de inclusão são algumas das preferidas porque tratam de técnica. O professor que saber o que pensar e como deve agir em determinadas situações, e é exatamente isso que o livro diz”, afirma.

A 55ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre pega carona em uma das grandes tendências mundiais. A possibilidade de reunir, em uma mesma sala de aula, alunos com aspectos tão diferentes representa o começo de uma grande mudança de comportamento. E, quando se fala em mudança, a ajuda dos livros não pode faltar.

A cara da Feira

Especial: Cobertura da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre

Ele é a cara da Feira. Irreverente e apaixonado, Fabrício Carpinejar é um dos grandes personagens da 55ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre. As unhas da mão esquerda pintadas e a tatuagem de escorpião no braço são a marca do jornalista e poeta, autor de treze obras e um dos finalistas do Fato Literário 2009. O escritor também concorre prêmio de melhor livro do ano com Canalha!, título com o qual recebeu o 51º Jabuti na categoria Contos e Crônicas.

Carpinejar é diferente. Assume a passionalidade comum dos poetas e a mistura à ousadia quase desregrada dos cronistas. O filho de Maria Carpi e Carlos Nejar exala uma genialidade ímpar. E aos que sentem o coração bater mais forte com suas palavras, uma boa notícia: toda essa genialidade está presente na Praça da Alfândega.

Na última terça-feira, 2, Fabrício esteve no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo com Retrato Falado – Terceira Sede: Elegias, quando abordou questões relacionadas à terceira idade. Mais tarde, levou Terceira Sede à Praça de Autógrafos.

No sábado, 7, Carpinejar lançou, no Pavilhão Central, o livro com as máximas de seu Twitter: www.twitter.com/carpinejar. Já no domingo, 8, às 16h, o escritor esteve no primeiro andar do Memorial com a obra Salva-vidas, coletânea de crônicas dos alunos da Oficina da Caixa Econômica Federal. Fabrício encerra sua participação na Feira nos dias 11 e 12, às 18h, no auditório do MARGS, com Qual a cor do seu rosto.

A Alfândega respira sua poesia, suas palavras, sua versatilidade. Sua jovialidade é a alegria de seus leitores. Sua experiência, o brilho da Alfândega. Fabrício Carpinejar é a cara da Feira.

Segunda Guerra Mundial ganha vida na Feira

Especial: Cobertura da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre

A magia e a barbárie do conflito que até hoje provoca a curiosidade de milhões de leitores no mundo inteiro tomaram conta da Feira. A história, as atrocidades e os segredos por trás da Guerra que mudou a história mundial são tema de alguns dos livros mais procurados por quem freqüenta a Praça da Alfândega nesses quentes dias de novembro.

Por que, mais de sessenta anos depois da assinatura do documento que confirmou a rendição do Japão e deu fim ao caos dos anos 40, o desejo por desvendar os mistérios que cercam Adolf Hitler, Joseph Stálin e Winston Churchill permanece vivo? A resposta é simples: a Segunda Guerra Mundial desafia e assusta. Através dos livros, crueldade e genialidade caminham juntas e proporcionam retornar à época mais atroz em que a humanidade viveu.

Em frente a um estande do Setor C, o empresário Jaime Moraes, de Campo Bom, observa a foto de Churchill, personagem da obra homônima, escrita por Lord Roy Jenkins. “A Segunda Guerra fascina. O fanatismo dos nazistas, as estratégias não divulgadas e os planos malsucedidos são um prato cheio para quem não abre mão da boa literatura”, comenta. Sua esposa, Cátia, que carrega um exemplar do livro Operação Valkíria, de Jesús Hernandez, acrescenta: “Não existe melhor lugar para encontrar literatura específica do que a Feira do Livro.”

Ao caminhar por entre os estandes dos quase 170 livreiros presentes no evento, a presença do grande número de títulos relacionados ao tema chama a atenção. A biografia de Hitler, de Joachin Fest, que analisa minuciosamente a personalidade do tirano alemão, é um dos volumes de maior destaque nos expositores. Churchill, Hitler e a Guerra desnecessária, de Patrick J. Buchanan, e Rosa de Stalingrado, de Valérie Benaim e Jean-Claude Halle, também estão entre os procurados.

Para o livreiro Nilton Silva, o tema sempre despertará o interesse dos leitores. “Ainda que antiga, a Guerra sempre será atual. A cada obra publicada o leitor tem a possibilidade de tirar novas conclusões, de encontrar a sua explicação para o que aconteceu”, afirma.

Entre biografias, manuais, almanaques e romances, a Segunda Guerra Mundial permanece viva. E, se um dos mais instigantes conflitos mundiais ainda não terminou, seu palco é, até 15 de novembro, a Praça da Alfândega.

O sonho estava ali

Tinha apenas nove anos. Cabelos negros, olhos verdes, pés pequeninos e alguns trocados no bolso. Já nem lembrava quando havia visto sua mãe pela última vez. Pai? Nunca havia tido. Caminhava em uma ruela escura, cujo cheiro lembrava o porão da casa de sua avó, da qual nem o rosto conseguia lembrar. Lembrava, apenas, do cheiro. Era azedo, molhado, antigo. Mais era impossível descrever. Foi passando a mão de dedos finos na parede de um prédio coberto por uma densa camada de musgo. Viu uma imensa ratazana sair de um bueiro. Quando se tem oito anos, a maioria das coisas costuma ser imensas.

Era sempre assim. Estava sozinha na rua, na cidade, no mundo. Dizia estar sozinha na “Via Lacta”. Tinha ouvido algo de nome parecido na televisão de um bar, do qual o limite era a porta. Tinha amigos, é verdade, mas eles eram diferentes. Eles não sonhavam. Ela sonhava.

Dormia na marquise de uma livraria, no coração de uma metrópole. Com a cabeça encostada em uma pequena pilha de papelões amassados, via através de uma grande janela de vidro todas as cores, todas as palavras, todos os sonhos. Todos os seus sonhos estavam ali. E, aí, sonhava um pouco mais.

Quando o sol da manhã começava a aparecer por entre os prédios que dizia serem os mais altos do mundo, acordou. Acordou naquele dia, àquela hora, sem saber exatamente o motivo. Viu um livro, a poucos metros de distância de sua cama de papelão. Um livro. Um livro vazio.

Ela sonhou tanto, e tanto, e tanto que um dia o sonho veio. Já tinha o que escrever. Tinha onde escrever. O sonho estava ali, em suas pequenas mãos. Era uma história que estava apenas começando.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quando política já não é motivo de sonho

Por Lílian Stein, Daniela Fanti, Rafaela Kley e Juliane Pimentel
São Paulo, 25 de janeiro de 1984. O dia quente, próprio do verão brasileiro, era amenizado por pancadas de uma chuva persistente sobre a Praça da Sé. No marco zero da maior cidade do país, de mãos dadas, 300 mil pessoas cantavam o Hino Nacional. Estampada no peito de milhares de jovens, a frase Quero votar para Presidente. "Perguntaram se aqui estão 300 ou 400 mil pessoas, mas a resposta é outra. Aqui estão presentes as esperanças de 130 milhões de brasileiros”. A afirmação, do então governador de São Paulo, Franco Montoro Filho, fazia parte do discurso de uma das maiores manifestações políticas da história do Brasil: o movimento “Diretas Já”. Em comum entre políticos oposicionistas, líderes estudantis, sindicais e civis, um sonho: restaurar o regime democrático do país.

O protesto que deu origem a diversas manifestações pela volta das eleições diretas para presidente, entretanto, não teve um final feliz. Às 2h da madrugada de 26 de abril de 1984, uma das quintas-feiras mais tristes da história nacional, o resultado da votação da “Emenda Dante de Oliveira” foi divulgado. A volta do voto direto havia sido vetada pelo Congresso. A mobilização política, contudo, não perdeu força. Pressionados pelo povo, militares se viram obrigados a negociar com a oposição. Em janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente da República através do Colégio Eleitoral, nas últimas eleições indiretas do regime militar. A ditadura estava no fim.

Vinte e cinco anos e uma sociedade completamente diferente depois, as vozes contestadoras e rebeldes daqueles anos já não ecoam com tanta força pelas universidades, bares, ruas e salões lotados pelos que ainda têm muito a viver. A política deixou de ser motivo de sonho. Desmotivados por inúmeros escândalos de corrupção, CPIs mal-sucedidas e uma escancarada impunidade, aliados à dificuldade das escolas ao lidar com o assunto, os filhos de quem exigiu eleições diretas e pintou o rosto na luta pelo impeachment de um presidente já não planejam revoluções em seu país. O que aconteceu?

Por trás da complexidade de pesquisas acadêmicas e teorias de especialistas, há uma reposta simples: a juventude perdeu o interesse pela política. Para Cláudia Backes, de 18 anos, os discursos dos políticos brasileiros já não atingem a maioria da população. “Mesmo que haja interesse pela política, não existe um discurso direcionado a esse público. A falta de credibilidade também faz o jovem ignorar o assunto.”, afirma. Lucas Neves, de 19 anos, acrescenta. “A maneira como a política vem sendo tratada no Brasil é banal. É como se, por mais que houvesse luta, nada fosse mudar.”

Indiferença se reflete nas urnas

No Diretório Central da Unisinos, Rafael Santana, 29 anos, analisa as causas para a alteração no modo como os universitários lidam com o assunto. “Faltou, nesta década, a representação estudantil se reinventar e observar quem são os estudantes deste novo século, suas necessidades e anseios, que não são mais os de 1984”, observa o coordenador de finanças do DCE.

A indiferença à questão é refletida na maior arma dos que clamam por mudança: as urnas. Na eleição que escolheu a gestão de 2009 do DCE da Unisinos, dos mais de vinte mil estudantes da universidade, apenas 12,5% compareceram para votar. Para a estudante de Jornalismo Natacha Oliveira, de 18 anos, o jovem está acomodado. “Parece ser mais fácil dizer que não gosta do assunto, que prefere não saber. A maioria é indiferente ao próprio voto. Pergunte em que senador votou na última eleição. Muitos não sabem”, desafia.

Segundo o professor do curso de Direto da Unisinos André Luiz Olivier da Silva, ainda que tenha perdido o interesse pela política partidária, o jovem procura outras saídas para defender seus interesses na sociedade. “Enquanto as manifestações partidárias perdem fôlego, como os protestos populares contra um governo corrupto, outros tipos de manifestação política ganham espaço, como a parada gay ou protestos contra a violência urbana. Isso indica que as pessoas nunca deixaram de defender os seus interesses e participar, de algum modo, da vida política”, acredita.

As praças lotadas de 1984, agora, estão vazias. Hoje a imagem das 300 mil pessoas na Sé faz parte apenas nos arquivos dos jornais. Já não se ouve o canto, o choro, o grito. As milhares de vozes da juventude brasileira estão caladas. O desejo de mudança parece ainda vivo. Mas está guardado no silêncio. Se esse desejo continua, de fato, em pé, talvez falte um pouco de atitude. A luta pode ser difícil e intensa. Mas ela precisa recomeçar.
* Para a disciplina de Redação Jornalística II do curso de Jornalismo da Unisinos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Veríssimo é rei!

Ele é. São poucos os que escrevem um único texto que pode ter tão vasto leque de leitores. É quase impossível abrir uma página de alguma de seus livros de crônica e deixá-la, alguns minutos depois, sem que ela tenha provocado ao menos uma leve risada.

Ao ganhar meu primeiro livro “de gente grande”, aos oito anos, no aeroporto do Rio de Janeiro, mal sabia eu que aquele seria um dos meus livros preferidos até hoje. Mamãe Sandra acertou ao escolher aquele livro de capa laranja, cujas páginas penetram, como outras obras do autor, nos lares e nas vidas dos brasileiros. Brasileiros como eu. Como você. Como o próprio Veríssimo. Comédias para se Ler na Escola: meu primeiro livro.

Recordo-me como se fosse hoje quando sentei nas sempre desconfortáveis poltronas da classe econômica do avião da TAM, quando peguei aquele livro cuja capa abriga um simpático gordinho grisalho sentado em uma classe de escola e li, no verso, algumas palavras de Ana Maria Machado: “Depois de ler este livro, duvido que algum jovem ainda seja capaz de dizer que não curte ler”. E eu, apaixonada por palavras que era, me encantei.

Luís Fernando Veríssimo me fascina até hoje. Meus filhos lerão Veríssimo. Meus netos lerão Veríssimo. Eu lerei Veríssimo. Sempre. E agora.

Somente Heróis

Admirava suas palavras, escritas ou faladas. Admirava seu olhar, sua voz, seus gestos, sua maneira de pensar misteriosa, ousada e, ao mesmo tempo, tão clara e sutil. Queria ser igual, não podia negar. Quando chegava, vestindo calça jeans e All Star, com segurança de homem e jeito de moleque, ela pensava: “eu quero ser que nem ele”. Admiração. Era o que sentia.

Na verdade, queria ser como todos aqueles que admirava. Queria ser como aqueles homens e mulheres que passaram por sua vida e deixaram marcas tão profundas que dela nunca mais saíram. Nem as marcas, nem eles.

A professora da segunda série, a da letra mais bonita que ela já havia visto – e que nunca mais vira uma igual. A da sétima, com a inesquecível frase: “tu tens jeito, mocinha”, que a levou onde está hoje. Aqueles do Ensino Médio, sempre atentos, sempre pacientes. Somente heróis lidam com adolescentes. Somente heróis lidam com hormônios fervilhando e mentes repletas de sonhos e ansiedade.

Somente heróis transformam em magia essa luta diária que se chama ensino. Somente heróis elogiam e criticam, sempre, no momento certo e acompanham a busca por um sonho de perto. São eles, os heróis, que deveriam ser lembrados como personagens principais. Eles, entretanto, preferem ser, apenas, coadjuvantes. Esse gesto só é digno de heróis. Somente heróis torcem, vibram, acompanham. Somente heróis são professores.

Vocês, meus heróis, me fizeram o que sou hoje. Parabéns pelo dia de vocês!


Escrito em 15/10/2009

E a saudade vem

Talvez você nem sinta mais saudade. Até que um dia, você percebe que aquela pessoa que um dia fez parte de sua vida, agora, está longe. Você não sabe mais o que ela faz, do que gosta, a que horas vai dormir. Será que ele ainda come pão com manteiga e açúcar? Será que ela ainda só consegue dormir depois de tomar uma xícara de café bem quente? E o leite? Só fica na medida depois de três colheres e meia de achocolatado?

Talvez você nem sinta mais saudade. A falta acostuma. E quando você pensar que, finalmente, aquela imensa cicatriz, a cicatriz causada pela falta, tiver fechado, virá a lembrança. Lembrança de conversas juvenis, de abraços adultos e de risadas infantis. Por que se foi?

E você já não sabe se ela ainda acorda às 7:13, se ele leva o cachorro para passear às terças, quintas e sábados, se aquela avó que estava doente morreu. Você não sabe. E acha que nem sente mais saudade. E é nessa hora que a saudade vem.

domingo, 4 de outubro de 2009

Lugares onde o tempo parou

Por Lílian Stein e Daniela Fanti


Um dos últimos dias de inverno marcava, também, o retorno do sol, que já aparecia por entre os morros. A temperatura era amena e a brisa, agradável. O canto dos pássaros em meio aos pinheiros e às jabuticabeiras embalava o início da manhã de trabalho de Noêmia Backes.


Ao acordar com o badalar dos sinos da igreja da comunidade, que bate sessenta vezes às seis horas da manhã, dona Noêmia, de 57 anos, levanta para preparar o café da família. A mesa, no canto esquerdo da já iluminada cozinha azul, precisa estar posta em quinze minutos. O pão, a lingüiça, o “schmmier”, a nata e o leite, que compõem a primeira refeição da segunda-feira, são fruto da propriedade da família, no interior da cidade de Dois Irmãos. Enquanto aquece o leite, Noêmia olha para o grande crucifixo acima da antiga cristaleira e faz o sinal da cruz.


Dona Noêmia nasceu em Dois Irmãos, quando a cidade ainda era distrito de São Leopoldo. Desde pequena, trabalhou nas propriedades da família. Aos 34 anos, já casada e com duas filhas, foi morar na zona rural do município, a dois quilômetros do centro. Lá, em uma propriedade de nove hectares, criou suas filhas e construiu, junto ao marido, Roque, o lugar que chama de “meu paraíso”.


Às seis e trinta da manhã, o casal Backes já se divide entre as principais tarefas do dia. Dona Noêmia precisa buscar os ovos postos pelas quatorze galinhas. Seu Backes deve cortar a grama e recolher as inúmeras folhas espalhadas por entre grandes cupinzeiros e árvores cobertas por musgo. “Minha vida é este lugar, estes bichos. Não existe dinheiro que pague o cheiro, a lama e os sons daqui”, afirma Roque. Alimentar os porcos, bois, as vacas, os terneiros, gatos e coelhos são as próximas tarefas de dona Noêmia. Seu Backes fica encarregado de pegar o leite e cuidar da vaca que deu à luz na última semana. O dia na propriedade dos Backes está apenas começando.


A 110 quilômetros dali, em Garibaldi, o dia nem bem havia clareado, e seu Alcides Debiasi, 64 anos, já estava com a enxada em mãos. “Bon giorno! Estou atrasado, hoje há muita coisa para fazer!”. Depois de acordar ao som do canto dos galos e de tomar o café da manhã preparado pela esposa, dona Assunta, 59 anos, está hora de trabalhar.


Ao listar mentalmente as tarefas que o aguardavam, seu Alcides sequer pensou que, a poucos quilômetros dali, uma cidade inteira estava apenas acordando. E, sem sair dos arredores da casa, partiu em direção a seus oito hectares de terra, cobertos por parreirais ainda sem folhas, aguardando a chegada da germinação. Dona Assunta já sabe que em dias ensolarados não deve esperar o marido para o almoço. “Nessa época do ano chove muito, e como dependemos do tempo, em dias como este é preciso acelerar o trabalho”, afirma, amarrando em volta da cintura o avental bordado por ela.

Enquanto se despede do marido, Assunta lava a louça preferida que ganhou de casamento, há mais de 35 anos, e guarda o pão, os biscoitos, a cuca, o bolo e as geléias, tudo feito em casa, em um armário coberto por um tecido xadrez rendado nas laterais. Ainda do armário, apanha dois baldes brancos vazios e sinaliza a próxima atividade do dia: “Não me lembro de ter comprado leite em toda a minha vida”.

Dona Assunta segue até a porta, onde veste os chinelos apropriados para a caminhada, e deixa a casa rumo à estrebaria. A estrada de terra, estreita o suficiente para que passe o pequeno trator da família, exibe as marcas feitas pelos pneus da máquina recém adquirida. Enquanto anda por entre as parreiras, olha para o horizonte coberto de verde e, com um sorriso estampado no rosto, afirma: “Não trocaria minha casa por nada neste mundo”.

Finais de semana são de festa e oração

Tipicamente alemã, o município de Dois Irmãos é um dos pólos de preservação da cultura alemã no Rio Grande do Sul. O interior da cidade concentra inúmeras famílias que abriram mão dos avanços tecnológicos da atualidade para preservar as tradições de seus antepassados. Assim como os Backes, mais de trinta famílias vivem no Vale Esquerdo, bairro da zona rural.


Aos finais de semana, os encontros no salão da comunidade são o principal passatempo das famílias. Ao lado da pequena igreja rosa, construída com a ajuda dos moradores da localidade, Seu Backes se reúne para jogar o tradicional jogo de cartas Schaffkopf, trazido pelos imigrantes alemães em 1824. Ao som de “bandinha”, os casais rodopiam pelo salão vestidos com os trajes de festa, chamados pelos moradores de “roupa de domingo”. Dona Noêmia afirma, em alemão: “Die Fest kommt nach der Messe”, ou “a festa vem só depois da missa”.


Em Garibaldi, os finais de semana são movimentados pelos jogos de bocha. O jogo chegou à Serra Gaúcha em 1875, junto às primeiras famílias italianas, época em que o município recebeu seu primeiro nome, Colônia de Conde D’Eu. Desde então, famílias como os Debiasi, os Sartori e os Nicaretta, seguem preservando os mais tradicionais costumes de seus antepassados.


Em Marcorama, na zona rural da cidade, onde vive Dona Assunta, aos finais de semana, as famílias italianas preservam um costume semelhante ao alemão, e se reúnem no salão da comunidade para festejar, comer, dançar, jogar cartas e rezar. Uma vez por ano, é realizado o campeonato de futebol entre as famílias. “Os times são formados a partir do sobrenome, não importa a idade. É mais um momento para relembrar nossas origens”, conta Dona Assunta.


Para o professor do curso de História da Unisinos Martin Dreher, a preservação da cultura dos antepassados faz parte da vida de quem vive no interior. “A vida nas zonas rurais mostra que há tecnologias que não são de primeira necessidade. As circunstâncias impostas a quem opta por esse estilo de vida chega a causar inveja a muitos urbanos, que buscam sítios próximos às cidades. Os rurais nos lembram quem fomos ontem”, comenta o professor.


Ao final do dia, sentada em frente a sua casa, dona Noêmia afirma ter orgulho de suas origens. “Vivo aqui porque quero. Não sinto falta de internet, nem quero saber como é.” O marido, que segura o gato da família no colo e fuma um cigarro de palheiro, complementa: “Nós, sim, sabemos o que é felicidade.”


Alcides Debiasi retorna à casa, construída há mais de cem anos, pouco depois das cinco horas da tarde. Dona Assunta já preparou o jantar: sopa de capeletti. O casal senta em frente ao fogão à lenha, a última atividade do dia. “Não precisamos de rádio nem de televisão. Em frente ao fogo, temos um momento só nosso. Aqui, podemos conversar”, afirma seu Alcides.


A noite de segunda-feira se aproxima em Dois Irmãos, na propriedade dos Backes e Garibaldi, na terra dos Debiasi. Os animais estão dormindo, o canto dos pássaros silenciou e o sol já não forma clareiras por entre as árvores. O tempo, para quem vive no interior de Dois Irmãos e Garibaldi, parece ter parado. Mas só parece. Lá, a vida está apenas começando.

* Para a disciplina de Redação Jornalística II do curso de Jornalismo da Unisinos

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Meus dez minutos com o Lula

Se existe uma pessoa nesse mundo com quem eu gostaria de ter dez minutos para conversar, essa pessoa é o Lula. Não por eu achá-lo o líder incontestável, como é pintado por uns, nem o pobre vencedor, como julgam outros. Nada disso.

Queria mesmo é dizer umas verdades para ele. Enquanto escrevo essas palavras, no momento em que quase quebro o teclado com a força com que digito, penso nesse cara que o povo colocou no Palácio do Planalto. Penso, aliás, em todos esses caras que o povo colocou lá. Penso nesses bandidos que não têm o mínimo de escrúpulos, que mentem com uma cara de pau inacreditável, que me fazem querer quebrar a televisão, jogar o computador janela afora e bater na cara deles com um jornal.

Queria dizer para esse tal de Lula, que “nunca antes, na história desse país”, eu tive tanta vergonha de dizer que sou brasileira. Queria dizer para ele, também, que “nunca antes, na história desse país” vi tanta injustiça ser tratada como um assunto qualquer. Diria, ainda, que “nunca antes na história desse país” quis chorar de raiva do povo que te colocou onde hoje tu estás. Por último, Lula, seu jumento gorducho, eu gritaria, bem no teu ouvido, tudo o que andam fazendo por aí, bem debaixo do teu narizinho. Aí, quem sabe, tu pararias com essa hipocrisia de dizer que “não sabe de nada”.

Sete segundos da minha própria Lagoa Azul

“Se não existisse dinheiro no mundo, eu não precisaria estudar, porque de qualquer maneira eu não seria rico.”

Ouvi essa frase do meu irmão. Dezesseis anos e uma vontade sobrenatural de passar o dia matando pessoas via computador enquanto imita o Lula e o Sílvio Santos ou canta Ursinho Pimpão e músicas do gênero. Por um momento, talvez por 7 segundos, pensei que ele pudesse ter razão.

Foram sete segundos bem interessantes, para falar a verdade. Me imaginei construindo uma casa como eles fizeram na Lagoa Azul, pescando e nadando no mar como foi na Lagoa Azul, descobrindo rituais macabros na floresta, como eles descobriam na Lagoa Azul e tomando banho no rio com cachoeiras que tinham até uns tobogãs naturais, como na Lagoa Azul. Achei o máximo.

O sétimo segundo foi o último de deslumbramento. Depois, pensei que não leria mais jornal, que meu celular, meu iPod e meu notebook não existiriam nem na minha imaginação e que eu não poderia viajar, nem postar no blog, nem dormir com ar-condicionado e muito menos jogar Bubble Shooter. Me lembrei de que não teria televisão para assistir CQC e que, que tristeza, o CQC nem existiria. E eu ainda teria que viver comendo frutas. Era só o que me faltava.

“Fica quieto, guri. Vai estudar!”

Uma força maior que tudo

Foi um sorriso triste. Ainda assim, foi um sorriso. De saudade, provavelmente. Uma saudade longe dos clichês de “que tempo bom que não volta nunca mais.” O meu tempo volta, sim. Na verdade, ele não volta, ele apenas está, ainda, para chegar.

Um mundo de gente diz, todos os dias, que tempo bom é aquele que passou, e eu insisto em discordar desse tipo de afirmação. Tempo bom é o que estar por vir, pôxa! Vai olhar para trás por que?
Não nego e não esqueço dos inúmeros e homéricos turbilhões quais passei e afirmo que sempre encontrei coisas boas depois daquilo que julguei ser intransponível. Estou viva. Tenho marcas, somente. E garanto, todas me fizeram ser melhor.

Tive comigo, sempre, uma força que me fez ver que havia algo esperando. E não há experiência negativa que não comprove a extrema inteligência do velho ditado popular “há males que vem para o bem”. Com uma pequena modificação, digo “os males sempre vem para o bem”.

Resta deixar para trás o que passou, que o que vem por aí, por mais difícil que seja, vem para me fazer crescer. Que venham outras tempestades. Comigo, apenas uma força. Uma força maior que tudo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Te quero comigo

Dizem ser o ciclo da vida. Nascer, crescer e morrer. Toda essa teoria é muito fácil quando está longe dos olhos e, mais ainda, do coração. É inútil querer lutar contra a força do que está acima de tudo. Simplesmente, a hora começa a se aproximar. E àqueles que não abrem mão dos inúmeros clichês cabíveis a essa situação, apenas digo: eu não estou preparada.

Não sei lidar com a ausência, com a saudade, com a perda. Não me conformo com o nunca mais, com o silêncio e com o vazio. Continuo querendo aquelas palavras, aquelas histórias, a torcida, o abraço, as palmas. Elas ainda estão aqui, mas eu não sei até quando.


Se pudesse, te faria durar para sempre. Se pudesse, congelaria o tempo durante os almoços de domingo, as conversas sobre futebol, os carteados e as brincadeiras. O tempo, contudo, é implacável. Não perdoa, não espera e, infelizmente, não me deixa te ter para sempre. Te guardo com todo o meu amor, com toda a minha torcida. Te quero aqui. Fica com a gente, tá?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ela não iria desistir

Quando parou para pensar, percebeu que não estava errada. De grande alívio sua alma foi invadida, e embora estivesse triste, seu coração encheu-se de alegria. Ela não estava errada. Não tinha culpa de sonhar, de sentir, de querer. Mais do que isso: percebeu que lutar por tudo aquilo que queria não era errado, embora tentassem fazê-la pensar de tal maneira. Não estava errada!

Tudo aquilo que a fazia mal, no mesmo instante, deixou de existir. Não mais faria diferença. Não era justo deixar-se corroer por algo que, na verdade, não existia. A força que lhe faltava veio como que em choque. Estava forte novamente. E pronta. Reergueu-se. A partir daquele momento, deixar de sonhar estava proibido.

Não podia deixar tudo aquilo para trás. Era demais, era lindo, era perfeito. Precisava lutar por isso. E era exatamente o que iria fazer.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Minha autoconfiança exagerada

E depois de quase um mês, volto para, de certa forma, desabafar a respeito do excesso de autoconfiança que ronda minhas atitudes e pensamentos no últimos tempos. É como se eu pudesse tudo. Eu sei tudo, posso tudo, consigo tudo. Se eu não consigo é porque eu não quero, só por isso.

Não chega a ser egocentrismo. Eu acho. Na verdade, essa sensação de ‘tudo só depende de mim’é boa, até. Juro! Mas, sei lá, me disseram que é errado, e essas regras da sociedade costumam me assustar um pouco.

Não consigo classificar esse tipo de pensamento de maneira positiva e sei que, certamente, devem pensar que pode ser falta de humildade. Mas não é, eu juro, de novo.Entretanto, vi que, realmente, as coisas estão ao meu alcance. Tudo, na verdade. Só ao meu. Só depende de mim. Eu.

Comecei a escrever sem a menor idéia de onde chegaria. E, bom, quando escrevi esse ‘eu’ me dei conta da imensidão de gente que essa palavra engloba. Família, amigos, relações profissionais, o motorista do ônibus, a empregada. Todos fazem parte desse ‘eu’. E, embora eu continue com a convicção de poder tudo, percebi que por trás de mim existem outros.

Nem deveria falar isso, porque certamente vai parecer hipocrisia. Mas foi pensado, tem que ser escrito, não posso deixar passar. Porque comecei a escrever com esse pensamento super autoconfiante e, agora, termino vendo que eu sou apenas o produto final. E por trás de um produto final existem, sempre, grandes pessoas. É... Acho que aprendi.

domingo, 10 de maio de 2009

A ti, minha heroína

Não poderia deixar passar esse dia tão especial em branco. Embora teu dia seja não só esse, mas, também, todos os outros, penso que nunca é demais lembrar a imensa importância que tu tens em minha vida.

Tu és aquela pela qual sinto o tão falado amor incondicional. Independente do que aconteça, vou estar sempre ao teu lado, como sei que tu estarás ao meu. Nem sempre as coisas são fáceis, mas, juntas, nós duas somos muito fortes. Invencíveis, eu diria. Isso porque, me espelhando em cada gesto, em cada palavra e em cada conselho teu, eu aprendi que mãe é heroína. Pode tudo. E, contigo, eu posso também.

A nossa convivência não é recheada de declarações de amor. É muito mais do que isso. O nosso amor, nossa confiança e nossa cumplicidade estão impressos em cada gesto, em cada favor, em cada abraço, em cada beijo, em cada vez que tu colocas a mão em minha testa e em cada objeto perdido que tu encontras sempre, milagrosamente. Atitudes, como sempre, valem muito mais do que palavras. E as nossas atitudes provam que esse, o nosso amor, é infinito.

E hoje, mãe, quero te dizer, mais uma vez, que tu és o motivo dos inúmeros sorrisos, do meu constante desejo de ser cada vez melhor e, assim, fazer de ti uma mãe orgulhosa e realizada. Tenha a certeza de que tu tens uma filha que tem orgulho de dizer “Aquela ali é a minha mãe.”

Tu és muito mais do que qualquer um pode imaginar. Dona de uma força incrível, de um abraço acolhedor, de um sorriso inconfundível (e lindo!), de uma inteligência invejável. Confesso que, embora seja clichê, eu realmente não consigo encontrar palavras para expressar o amor que eu sinto por ti. É daqui até a Lua. Ida e volta. E ainda mais!

Todos deveriam ter uma mãe como tu, Sandra. Eu, felizmente, tive essa sorte! Muito obrigada por todos os conselhos, pelas conversas, pelos ensinamentos e valores que tu tanto te preocupaste em me passar durante esses 19 anos. Obrigada por me fazer ver que mesmo os piores dias não são tão ruins assim e que as respostas para as mais cruéis dúvidas estão dentro de mim. Obrigada pelo carinho e pela preocupação. Obrigada até mesmo pelas vezes em que tu tens que me chamar para uma conversa mais séria (na qual o cenário é, invariavelmente, um quarto desarrumado). Enfim, mãe, muito obrigada por tudo! Cada momento nosso está muito bem guardado em meu coração. Eu te amo por tudo o que tu és e, também, por tudo aquilo que tu me ensinaste a ser!

Feliz Dia das Mães, meu tudo!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Amor (o de verdade)

Sabe o que é amor? A-M-O-R. Amor de verdade. Não aquilo que andam chamando de amor por aí. Não é a gratidão por um único favor, em um dia qualquer. Não é um comprimento na rua, não é uma conversa de quinze minutos.

Amor não é macarrão instantâneo. Merece muito cuidado, merece dedicação. Amor não nasce em uma festa, não nasce em uma conversa. Amor não cresce em uma foto de Orkut, muito menos ao som de um funk. Amor não é só afinidade.
Amor, aquele de verdade, precisa de tempo. Precisa de química, precisa de compreensão, de cumplicidade. Precisa de algo que é, na verdade, maior do que tudo o que já se julgou saber. O que o faz existir é muito maior do que qualquer um pode controlar.

Amor de namorado, amor de amigo, amor de conhecido. Amores que se tornaram frágeis, falsos e hipócritas. Começam hoje, terminam amanhã. Te vi na rua hoje, te amo daqui a pouco. Amam antes mesmo de conhecer. Chega a ser triste para aqueles que amam ver o quão banalizado tornou-se o sentimento mais sublime. A pureza do amor verdadeiro é para poucos.

E, se é mesmo amor, é pra sempre. Se é mesmo amor, é de verdade. Se é mesmo amor, é bem simples. Por mais complicado que isso possa parecer.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

E volto mesmo!

Acabei de ler uma notícia que me deixou, no mínimo, transtornada. Uma empresária matou seu marido, sua irmã e sua sobrinha para livrá-los do sofrimento. Isso porque, segundo ela, a situação financeira estava difícil, beirando o insuportável. Matou. Assim mesmo, bem simples. Drástica solução.

Então, lendo aquela matéria e custando a acreditar na sanidade da mulher (embora ela insistisse saber “bem” o que estava fazendo), me vi pensando na facilidade com que se pode destruir até mesmo os planos mais banais de alguém. E se eu estivesse planejando ir ao cinema na sexta-feira? E se eu tivesse dentista? E se eu estivesse esperando por ‘aquela’ festa? Confesso que um dia cheguei a pensar que cada um fosse responsável pelas suas decisões. Suas. Não as dos outros.

Até que ponto alguém pode decidir por mim o quanto eu quero sofrer (e chorar, e sorrir, e tudo o mais que acontece todos os dias)? Tudo bem, privacidade é coisa do passado, todo mundo sabe tudo de todo mundo, mas espera aí! Será que dá para me deixar sofrer sozinha? Dá para me deixar decidir sozinha? Dá, por favor, para me deixar viver sozinha?

Enfim, não foi comigo, mas poderia ser. É apenas um aviso. Eu garanto, nunca julgarei felicidade, tristeza, rancor, êxtase nem qualquer outra sentimento como insuportável. Por isso, apenas digo uma coisa: deixem-me sentir tudo, tudo, tudo! Porque se alguém me matar eu volto para puxar o pé!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

É vício

Não contém álcool, não faz mal à saúde, não é proibido, não tem contra-indicação. Ainda assim, é a bebida mais espetacular que existe. É melhor que chocolate quente e leite com Nescau. É melhor que café e que água. É melhor que Coca-Cola, que Fruki, que vinho, que qualquer coisa. É até melhor que Biotônico Fontoura. E Sorine. Sim, aquele mesmo, de colocar no nariz. Eu sou viciada em chá. É sério.

Chá tem um gosto diferente, daqueles que não agrada a todos os paladares. Chá quentinho no inverno, debaixo do cobertor, assistindo a um bom filme, comendo pipoca. Chá no verão, bem gelado, depois de beber metade da água do mar (infelizmente, crescer não me impediu de beber alguns litros durante o verão). Confesso que venero tanto tal bebida que se torna difícil descrevê-la – por mais ridículo que possa parecer.

Talvez seja por que o chá é um companheiro de infância. A partir do dia em que eu nasci, a jarra de chá passou a habitar a nossa geladeira. Passei a amar e queria que todos amassem também. Minha insistência fez com que quase todos que freqüentavam minha casa passassem a tomar chá. Primos, amigos, namorado. Todos, até os que não gostavam, renderam-se ao chá, salvo exceções que insistem na água.

Não consigo ficar um dia sem tomar, preciso saber que, independente da hora, posso abrir a porta da geladeira e o chá vai estar me esperando. Chá é vício. Um vício do qual eu não quero me livrar. Agora, com licença, minha garrafinha de chá já está vazia e eu preciso ir lá buscar mais.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Minha eterna infância

Acordei com vontade de tomar Coca-Cola na mamadeira. Normal, se eu não tivesse 18 anos. Na verdade, não julguei minha vontade como anormal, mas a cara com a qual minha mãe me olhou deixou um pouco receosa quanto ao meu desejo. Ainda assim, julguei ser necessário levar minha vontade adiante, mas não encontrei qualquer objeto que fizesse menção a minha época de bebê no armário.

Meus 18 anos não me fizeram achar que Rá-Tim-Bum é chato e eu continuo achando Sailor Moon o máximo. E que não apareçam psicólogos dizendo que isso é trauma de infância, porque eu garanto que não é.
Eu ainda peço para minha mãe me por para dormir, eu ainda brigo com o meu irmão e não consigo ficar acordada até muito tarde, salvo exceções. Eu ainda leio gibi, as músicas da Xuxa e do Balão Mágico estão nas mais tocadas do meu Ipod e eu assisto vídeos de desenho no You Tube. E, se for para brincar de alguma coisa, eu juro, prefiro ser café-com-leite. Sou criança mesmo, e daí? Adultos são chatos. E sérios.

Não é sinal de infantilidade. É completamente verdadeiro e nada preocupante. Quem sabe eu ainda julgue importante cultivar a criança dentro de mim. Que anda bem viva, por sinal.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Uma verdade perturbadora

Impossível ficar sem escrever. Parece que sufoca e dá vontade de vomitar. Na verdade, a ânsia por dizer certas coisas, tanto boas quanto ruins, vem me provocando esse tipo de sensação, ultimamente. E, já que escrever é, sim, melhor e mais verdadeiro do que falar, aqui estou, vergonhosamente, depois de mais de um mês. Lamentável. Todavia, utilizando o bom e velho clichê, antes tarde do que nunca. Esse post faz parte do meu conturbado mas, ainda assim, extremamente sincero e verdadeiro retorno.

Passei por uma pequena crise existencial em relação ao meu blog e, por um momento, cogitei a idéia de abandoná-lo ou, ao menos, bloqueá-lo para visitas. Isso porque esse mundo virtual, e eu já disse isso em outras ocasiões, me parece demasiado hipócrita. Eu, sinceramente, não estou aqui para me promover. Eu estou aqui porque gosto. E se tu, leitor, julgares necessário e interessante comentar qualquer coisa, sobre qualquer texto, faça-o. Mas não espere retribuições, não quero ser mais um número inútil e mentiroso em teus comentários.

Talvez essa atitude seja um pouco egoísta, ou até mesmo egocêntrica. Mas essa é uma idéia que me persegue desde o momento em que comecei a escrever aqui, e percebi que muitos comentários são uma tentativa (sempre frustrada, a quem possa interessar) de receber algo em troca. Desculpem, mas o meu objetivo é outro, meu objetivo é escrever, porque é disso que eu gosto. E isso, eu tenho certeza, é muito maior do que uma simples autopromoção.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ainda é o início

Ela sonhou mais um pouco, chorou mais um pouco, viveu mais um pouco. Os dias passaram. Um a um, trouxeram consigo dúvidas e questionamentos. Trouxeram inquietude e ansiedade. Ela precisava pensar, mas não sabia sobre o que. Precisava parar, mas não sabia como. Apenas precisava.

Sentia a falta de algo, ainda que tivesse tudo. Sentia a falta dos sentimentos, embora eles estivessem à flor da pele. Sentia falta do sorriso, mesmo que ele estivesse sempre presente em seu rosto. Riu. E lembrou-se do tempo em que o riso era fácil. Os tempos eram outros.

Ela sabia que a infância havia passado, que a adolescência já não estava mais presente. Havia chegado a hora de crescer. Ela não queria, mas sabia ser necessário. Não se pode ser criança para sempre, pensou. Percebeu que o que a espera é grande. Ainda é desconhecido, ainda é assustador. Ainda é o início. Mas sabe ela que é único e inevitável, e, por isso, é maravilhoso. Só resta esperar.