quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Reclamar é uma arte!

Tudo vai bem. Cumplicidade entre os amigos, tranqüilidade no namoro, sucesso nos estudos, harmonia na família. Acordar pela manhã foi fácil, o almoço tem um sabor diferente, o dia está lindo, tem festa amanhã e as férias começam semana que vem. Tudo perfeito! Mas, calma aí! Não se engane.

O problema aparece. Ele sempre aparece, por menor que seja. E o pior (ou melhor, pois assim não é tão problema): vem de dentro da gente. É incrível, mas o ser humano tem o dom de encontrar problema. Se ele não existir, então, melhor. Inventar algo que incomode é rápido, fácil e (isso é um segredo) divertido.

Que calor, que frio, que fome, que sede, que sono! Não agüento mais meu trabalho, essas provas estão me matando, a professora é uma estúpida! A televisão só passa porcaria, não agüento mais ficar na frente do computador! Quero me jogar do terceiro andar. Drama, drama, drama.

É fácil reclamar. E legal. Eu, particularmente, adoro. É um dos meus defeitos preferidos. Pratico constantemente. Quando a gente reclama todo mundo se preocupa e quer agradar. Também passamos a dar valor para o que antes não dávamos assim que o “problema” é resolvido. Não posso negar, eu gosto mesmo disso. Por isso que eu reclamo. E, caso tu não sejas aquele tipo que sorri até quando chuta a quina da mesa da sala, tenho certeza que tu também!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sem tempo

Não, eu não estou sem tempo. Ao contrário, já estive sem tempo e, nas últimas semanas, tive tempo até demais. Por isso, confirmo: ter tempo é chato, podem acreditar. Não existe coisa pior do que não ter o que fazer e ter a sensação de que o tempo passa inutilmente. Eu acordo de manhã. “Nossa, quantas coisas para fazer hoje! Mas eu tenho tempo, depois eu faço”. Depois do almoço, “vou assistir TV, depois eu faço”. A maldita mania de deixar para depois.

Essa é a explicação para o lamentável fato de eu ter simplesmente abandonado o blog por quase duas semanas. Eu tive tempo de mais. Acabei fazendo de menos. E agora, em meio ao final do semestre, cheia de trabalhos e durante a semana de provas, não sei onde encontrei tempo para escrever. Pelo menos confirmei minha teoria. Agora eu tenho a certeza de que prefiro cronometrar os minutos de cada coisa que faço a ver a vida passar e ter o sentimento de que nada fiz para que ela valesse à pena.

Eu quero ter tudo para fazer! Isso me faz sentir viva, me faz sentir útil. Me mostra que sou capaz de vencer prazos e desafios, de provar que eu posso e consigo. Passar o dia vagando pela casa em busca de algo para fazer é tarefa para poucos. Uma tarefa bastante difícil, diga-se de passagem, pois o ócio acaba com a auto-estima e traz consigo o mau-humor e a ansiedade.

Eu quero que o meu despertador acabe com o meu sono cedo de manhã. E quero terminar o dia deitando na cama extremamente cansada, relembrando cada passo do meu dia. Eu vou reclamar, vou querer parar. Mas, no fundo, isso me fará extremamente feliz.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Chega, verão!

Sentada fazendo nada, vi algumas formigas carregando pequenos pedaços de folhas. Alimento para o próximo inverno, pensei. Mas espera aí... Nem o verão chegou ainda! Por que elas não pensam primeiro na melhor estação do ano, para depois se preocuparem com o frio?

O clichê, aqui, é inevitável. AH, O VERÃO... No verão, nada tem hora para começar. Nem para terminar. É época de almoçar as seis da tarde, depois de passar o dia inteiro na praia, é época de tomar água de coco e sorvete, de comer queijinho e milho, de cair na piscina e no mar, de jogar carta assistindo a reprise de um filme da década passada. É época de jogar taco, futebol, frescobol, de transformar o biquíni na peça mais importante do guarda-roupa e de ficar de short mesmo em dias frios.
Ah, o verão... Todo mundo fica mais bronzeado (ou menos branco), mais feliz e disposto. As misses camarão circulam pela orla (e me incluo nesse grupo). Faz parte do pacote da estação do calor.
O verão é a época das melhores histórias, das melhores risadas e do fortalecimento das amizades. Que tal uma volta de bicicleta no calçadão ao anoitecer? A água quente da piscina nos espera para mais tarde. Delícia!

E aí tem gente (formigas, na verdade) que quer pensar no inverno. Pôxa, pensem no verão, esqueçam o inverno! Ou fiquem felizes por nós, humanos, que podemos esquecer, pelo menos por alguns meses, que depois do calor começa tudo de novo!


* Baseado nos verões que passei e que ainda vou passar com as melhores companhias do mundo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sem assunto

Eu simplesmente não tenho absolutamente nada para dizer. Nenhuma idéia, sobre nenhum assunto. E o pior de tudo: o problema não começou hoje. Isso, admito, me preocupa. Eu, que sempre sonhei ser paga para escrever sobre qualquer coisa e poder tomar o café da manhã lendo minha coluna em algum jornal de grande circulação, me vejo, hoje, sem assunto. Quanto tempo eu vou demorar a lançar minha coletânea de melhores crônicas, se por diversas vezes não tenho um assunto sobre o qual dissertar? “As 46 melhores (e únicas) crônicas de Lílian Stein”. Argh! Por favor, alguém me dê uma idéia!!!

O que será que passa pela cabeça de um colunista de jornal, que deve entregar sua crônica diariamente, quando ele não tem nada para escrever? Imagino que deve passar de tudo – desde uma profunda reflexão sobre o que é melhor comer no jantar de hoje até “tenho que regar as samambaias do banheiro”. Sim, porque, caso estivesse pensando em algo mais construtivo, ele teria sobre o que escrever.
Quem sabe mandar para o jornal um texto em branco. Só o titulo, talvez. “Nada”, que tal? Uma coluna vazia pode chamar a atenção caso tenha o objetivo de causar polêmica. Se bem que, se todos os jornalistas ficassem sem assunto no mesmo dia, um jornal em branco não seria uma boa idéia, com o perdão do trocadilho. Enfim, não ter idéias é bem chato. Sorte que ainda não sou paga pelas minhas.

Na verdade eu gostaria de ter alguma idéia para terminar a minha reflexão sobre não ter idéias. Infelizmente, nenhuma idéia surgiu. Meu pensamento, agora, está focado em nada. Nada, nada, nada! E, vejam só, até do nada saiu um texto.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ele tinha um sonho

Barack Obama tinha um sonho. Compartilhava com o mundo inteiro o desejo de paz. Queria lutar pelos negros e minorias, sem esquecer-se de quem conquistou o que tem através do trabalho. Obama era, e é, sinônimo de esperança, tornou-se o ícone de uma revolução estadunidense e do fim da era Bush, que acabou de vez com a imagem de seu país. O mundo passou a ver os Estados Unidos com outros olhos por conta do democrata negro.

O povo optou pela mudança. Que essa mudança seja positiva, verdadeira, coerente. Que Obama não se esqueça do povo que acredita ser ele o salvador. Que venha para salvar, para mudar e para mandar George W. Bush para bem longe da Casa Branca. Mas que deixe claro: milagres não existem. Quem acredita em milagre é ingênuo. Cidades, estados e países não sofrem mudanças radicais propostas por um único oposicionista, muito menos em apenas quatro anos! A mudança acontece, mas não é milagrosa.

Barack Hussein Obama tem um desafio gigantesco pela frente, pois recebe em suas mãos um país de economia desacreditada e diplomacia frágil. O primeiro negro a chegar à Casa Branca tem uma missão imensurável a cumprir.
Porém, ele tinha um sonho: ser Presidente do mais poderoso país do mundo. Ele conseguiu. Agora, o mundo inteiro deseja que todos os seus outros sonhos também se tornem realidade.

sábado, 1 de novembro de 2008

Sábado à noite

23:50, sábado à noite. Bem que eu poderia estar em uma festa, em um jantar, com os amigos ou fazendo qualquer outra atividade social habitual de um sábado à noite. Mas eu estou sentada sozinha na frente do computador. Incrivelmente, não me sinto mal por isso. E não penso que meu sentimento deveria ser outro que não o que sinto agora: tranqüilidade. A chuva que cai incessantemente lá fora e a temperatura amena fazem com que eu sinta que deveria estar exatamente onde estou, fazendo exatamente o que eu estou fazendo.

Sábados à noite, especialmente os de chuva, provocam reflexão. São propícios a quem quer organizar seus pensamentos, sua vida ou qualquer outra coisa, nem que essa organização resuma-se a arrumar a estante de livros.
Algumas pessoas não conseguem parar. São agitadas e impacientes, não têm opiniões formadas justamente pelo fato de nunca pararem para pensar. Não tiram um tempo para “fechar para balanço”, rever o que está sendo feito de bom e de ruim, o que merece reconhecimento e o que deve ser reciclado.
Existe vida fora de uma festa, para os que ainda não descobriram. E que ninguém se engane pensando que ter a vida social cheia de compromissos muda uma pessoa. Reflexão requer solidão – uma solidão boa, que fique claro. Ou alguém pensa que vai refletir escutando Mc Biju?

É para isso que serve um sábado à noite de chuva e uma temperatura amena. No lugar de uma festa, um livro. Em vez de uma janta, deitar na cama e pensar. Não sempre, porque ninguém é de ferro. Mas que é bom de vez em quando, aaaah... Isso é!