Tinha apenas nove anos. Cabelos negros, olhos verdes, pés pequeninos e alguns trocados no bolso. Já nem lembrava quando havia visto sua mãe pela última vez. Pai? Nunca havia tido. Caminhava em uma ruela escura, cujo cheiro lembrava o porão da casa de sua avó, da qual nem o rosto conseguia lembrar. Lembrava, apenas, do cheiro. Era azedo, molhado, antigo. Mais era impossível descrever. Foi passando a mão de dedos finos na parede de um prédio coberto por uma densa camada de musgo. Viu uma imensa ratazana sair de um bueiro. Quando se tem oito anos, a maioria das coisas costuma ser imensas.
Era sempre assim. Estava sozinha na rua, na cidade, no mundo. Dizia estar sozinha na “Via Lacta”. Tinha ouvido algo de nome parecido na televisão de um bar, do qual o limite era a porta. Tinha amigos, é verdade, mas eles eram diferentes. Eles não sonhavam. Ela sonhava.
Dormia na marquise de uma livraria, no coração de uma metrópole. Com a cabeça encostada em uma pequena pilha de papelões amassados, via através de uma grande janela de vidro todas as cores, todas as palavras, todos os sonhos. Todos os seus sonhos estavam ali. E, aí, sonhava um pouco mais.
Quando o sol da manhã começava a aparecer por entre os prédios que dizia serem os mais altos do mundo, acordou. Acordou naquele dia, àquela hora, sem saber exatamente o motivo. Viu um livro, a poucos metros de distância de sua cama de papelão. Um livro. Um livro vazio.
Ela sonhou tanto, e tanto, e tanto que um dia o sonho veio. Já tinha o que escrever. Tinha onde escrever. O sonho estava ali, em suas pequenas mãos. Era uma história que estava apenas começando.
Era sempre assim. Estava sozinha na rua, na cidade, no mundo. Dizia estar sozinha na “Via Lacta”. Tinha ouvido algo de nome parecido na televisão de um bar, do qual o limite era a porta. Tinha amigos, é verdade, mas eles eram diferentes. Eles não sonhavam. Ela sonhava.
Dormia na marquise de uma livraria, no coração de uma metrópole. Com a cabeça encostada em uma pequena pilha de papelões amassados, via através de uma grande janela de vidro todas as cores, todas as palavras, todos os sonhos. Todos os seus sonhos estavam ali. E, aí, sonhava um pouco mais.
Quando o sol da manhã começava a aparecer por entre os prédios que dizia serem os mais altos do mundo, acordou. Acordou naquele dia, àquela hora, sem saber exatamente o motivo. Viu um livro, a poucos metros de distância de sua cama de papelão. Um livro. Um livro vazio.
Ela sonhou tanto, e tanto, e tanto que um dia o sonho veio. Já tinha o que escrever. Tinha onde escrever. O sonho estava ali, em suas pequenas mãos. Era uma história que estava apenas começando.
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