segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sete segundos da minha própria Lagoa Azul

“Se não existisse dinheiro no mundo, eu não precisaria estudar, porque de qualquer maneira eu não seria rico.”

Ouvi essa frase do meu irmão. Dezesseis anos e uma vontade sobrenatural de passar o dia matando pessoas via computador enquanto imita o Lula e o Sílvio Santos ou canta Ursinho Pimpão e músicas do gênero. Por um momento, talvez por 7 segundos, pensei que ele pudesse ter razão.

Foram sete segundos bem interessantes, para falar a verdade. Me imaginei construindo uma casa como eles fizeram na Lagoa Azul, pescando e nadando no mar como foi na Lagoa Azul, descobrindo rituais macabros na floresta, como eles descobriam na Lagoa Azul e tomando banho no rio com cachoeiras que tinham até uns tobogãs naturais, como na Lagoa Azul. Achei o máximo.

O sétimo segundo foi o último de deslumbramento. Depois, pensei que não leria mais jornal, que meu celular, meu iPod e meu notebook não existiriam nem na minha imaginação e que eu não poderia viajar, nem postar no blog, nem dormir com ar-condicionado e muito menos jogar Bubble Shooter. Me lembrei de que não teria televisão para assistir CQC e que, que tristeza, o CQC nem existiria. E eu ainda teria que viver comendo frutas. Era só o que me faltava.

“Fica quieto, guri. Vai estudar!”

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