sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Somente Heróis

Admirava suas palavras, escritas ou faladas. Admirava seu olhar, sua voz, seus gestos, sua maneira de pensar misteriosa, ousada e, ao mesmo tempo, tão clara e sutil. Queria ser igual, não podia negar. Quando chegava, vestindo calça jeans e All Star, com segurança de homem e jeito de moleque, ela pensava: “eu quero ser que nem ele”. Admiração. Era o que sentia.

Na verdade, queria ser como todos aqueles que admirava. Queria ser como aqueles homens e mulheres que passaram por sua vida e deixaram marcas tão profundas que dela nunca mais saíram. Nem as marcas, nem eles.

A professora da segunda série, a da letra mais bonita que ela já havia visto – e que nunca mais vira uma igual. A da sétima, com a inesquecível frase: “tu tens jeito, mocinha”, que a levou onde está hoje. Aqueles do Ensino Médio, sempre atentos, sempre pacientes. Somente heróis lidam com adolescentes. Somente heróis lidam com hormônios fervilhando e mentes repletas de sonhos e ansiedade.

Somente heróis transformam em magia essa luta diária que se chama ensino. Somente heróis elogiam e criticam, sempre, no momento certo e acompanham a busca por um sonho de perto. São eles, os heróis, que deveriam ser lembrados como personagens principais. Eles, entretanto, preferem ser, apenas, coadjuvantes. Esse gesto só é digno de heróis. Somente heróis torcem, vibram, acompanham. Somente heróis são professores.

Vocês, meus heróis, me fizeram o que sou hoje. Parabéns pelo dia de vocês!


Escrito em 15/10/2009

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