sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Férias!

Não que eu esteja fazendo uma reclamação, propriamente. É mais um pedido. Eu, humildemente, peço férias. Mas não me refiro somente ao fato de não ter aulas, não trabalhar ou não precisar levantar cedo. Férias totais, eu peço.

Primeiro: é chato levantar da cama para almoçar. Sério, é chato, porque não é todo o dia que eu tenho vontade de acordar na mesma hora. E é chato levantar, escovar os dentes, trocar de roupa e dar um jeito no cabelo, sendo que o próximo passo é sentar à mesa sem conseguir abrir os olhos nem para ver qual é o cardápio do dia. Isso é lasanha ou macarrão?
Segundo: depois de ter, finalmente, acordado, e ter a noção exata do que eu estou comendo, depois de ter, finalmente, terminado o sonho no qual eu brigava com um corvo, eu quero terminar de comer e ficar sentada conversando sem hora para levantar. Na praia é comum todo mundo ajudar na limpeza, mas eu peço que, nas minhas férias, a louça vá para a pia e tome banho sozinha, poxa! Se puderem voltar para a mesa depois e já ficarem prontos para o jantar, eu agradeço, queridos pratos e talheres.
Terceiro: quando eu finalmente estiver cansada de conversar, a novela ainda não deve ter começado. Uma novela boa. Por que passar Mulheres Apaixonadas no meio do ano? Quem consegue acompanhar uma novela às três da tarde no meio do ano? Também não venham com Uga! Uga!. Novela boa, eu repito, por favor. A das oito também, que essa de agora não me agrada, mesmo que eu saiba o nome de 85% das personagens.
Quarto: eu quero ir para a beira da praia. Mar com água quente e limpinha, e férias para a chuva! Frescobol, futebol e taco para todos. Férias para quem reclama quando leva bolada no na cara!
Quinto: em época de férias quem trabalha deveria ganhar o dobro. Não, o dobro não. O triplo! Todo mundo gasta mais, e aquela infinidade de crepes, seguidos de um boliche e um sorvete no final de noite custa caro, senhores chefes. Aumentem os salários em época de férias, se não for pedir demais.

Eu quero férias. Férias para não fazer absolutamente nada além de passar a tarde inteira deitada na rede refletindo sobre o que leva o meu vizinho da frente a passar a tarde inteira deitado na rede olhando pra mim. E que a rede vá sozinha até o lugar, porque eu tenho que evitar a fadiga!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

É ele!

Todo mundo deveria ter alguém assim. É amigo e companheiro, confidente e conselheiro, criança e adulto. Está ali sempre, para tudo, a qualquer hora. Não precisa chamar, é só olhar. Ele entende. Parte do que eu sou se deve a ele.
Devo dizer que é o meu melhor amigo. Conhece-me de cor, sabe lidar com as manias, com os ataques, com a teimosia constante e a incansável vontade de incomodar e contrariar. É o motivo dos sorrisos incontáveis e dos planos para o futuro.
Sabe o que dizer, sabe o momento de dizer. Sabe quando deve fazer carinho, quando é a hora das cócegas, quando a paciência terminou. Sabe quando a brincadeira acabou e quando ela está apenas começando. É o chef de cozinha, o parceiro de canastra, do taco e do frescobol, a companhia nos filmes, nas festas, nos intervalos. Consola, irrita, faz rir e chorar de alegria, provoca frio na barriga.

É quem apareceu quando eu menos esperava, e quem eu não vou deixar ir embora. Transforma uma tarde ociosa em uma conversa animada e encontra, no pior problema, a solução. Faz carinho, faz massagem, busca água, liga o computador, põe pra dormir, pega a coberta. Faz surpresas e não espera nada em troca.

Ele é O cara, que eu admiro demais por ter um coração tão puro e por suas idéias geniais. É aquele que me ensinou a querer a mesma pessoa, por todos os dias, a toda hora. É o menino que me conquistou com aquele jeito calmo e inconfundível, com um carinho imenso e um amor maior ainda.
É claro que não poderia ser outro. É a minha metade, meu coração, meu amigo, meu namorado, meu amor! Aquele sobre o qual eu tenho o maior orgulho do mundo de falar: é o dono do meu coração.

Esse? É o maior amor do mundo. Só entende quem sente!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Santa, o Assassino e a Heroína (de novo e pela última vez)

A Eloá foi esquecida. Não, isso não é uma ironia. Ela foi esquecida mesmo. Lembram das semanas passada e retrasada, quando plantões davam as caras de 30 em 30 minutos na televisão? Lembram da Record transmitindo o seqüestro em tempo integral? E do Fantástico, que transformou nossa querida revista dominical em uma análise detalhada do seqüestro? E agora? Acabou. Podem dizer o que eu também estou pensando: ATÉ QUE ENFIM!

Até agora não consegui entender o porquê de todo o alvoroço em relação àquela história. Todos os dias, em diversos lugares do Brasil e do mundo, seqüestros, mortes, estupros e assaltos acontecem. Todos os dias, debaixo do nosso nariz, tem alguém sofrendo. Não defendo essas atitudes, é claro que não. Mas então, por que transformar justamente aquele seqüestro em um dos fatos do ano? Esqueceram de todos os outros que sofrem? E não digam que o caso serviu de lição, porque isso seria uma injustiça para com os outros que, então, teoricamente, teriam “sofrido em vão”. Refiro-me às outras adolescentes que foram mortas por seus namorados, aos filhos espancados pelos pais, aos pais massacrados pelos filhos. Isso acontece todos os dias! Volto a dizer: eu tenho coração. Só não me conformo com o fato de UM seqüestro ter alcançado tal repercussão, enquanto tantos outros dramas são esquecidos (eu também não quero ver um seqüestro em tempo integral toda semana. Eu quero notícias úteis, e não sensacionalismo).

Outra coisa: não defendo Lindemberg. Sua atitude é condenável e ele deve pagar pelo que fez. Porém, o que eu condeno, acima de tudo, é a maneira como essa história foi contada ao telespectador: Eloá, a menina santa, morta por seu namorado; Lindemberg, um jovem calmo e trabalhador, que revelou um lado animalesco nunca antes visto; Nayara, a corajosa menina que voltou ao cativeiro para salvar sua melhor amiga.
Que triste, que comovente! Eloá, que Deus a tenha. Morte ao Lindemberg! Viva Nayara!

Minha opinião: Eloá deu motivos para o que aconteceu. É claro, Lindemberg estava desequilibrado e, certamente, não tinha noção da proporção que sua atitude poderia tomar. Mas ela deu motivos. Culpados são os dois, ele muito mais, é claro, mas culpados são os dois. E Nayara? Fiquei com nojo dela depois que a vi sair do hospital com um ursinho de pelúcia no colo e sorrindo. Sim, sorrindo. Ela havia acabado de sair de um seqüestro, sua dita melhor amiga estava morta e ela estava sorrindo. E também pediu para receber uma visita do Pato. Quem sabe ela não é convidada para atuar na próxima novela das sete, também.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

"Mãããe, eu vou ser jornalista!"

Quando eu era pequena, dizia que ia ser médica. Um pouco maiorzinha, lá pelos 11 anos, decidi ser psicóloga. Prometi que ia ler todos os livros de Psicologia da biblioteca lá da escola. Ia ser psicóloga e ponto final. Cheguei a dizer que faria Química também. Detalhe: minha história escolar é marcada por inúmeros pesadelos com exatas.
Até que um dia, na sétima série, em uma aula de português, minha professora disse que eu deveria ser jornalista. Eu, na época, sabe-se lá por que, disse “nunca!”. Papo de adolescente que discorda de tudo.

Com o tempo – para não dizer naquela noite – comecei a pensar sobre o assunto. Era uma profissão que me interessava. A possibilidade de informar, esclarecer e formar opinião faziam daquela, para mim, A profissão. Eu, que sempre gostei de ler, escrever e falar sem parar, me vi, em pouco tempo, encantada com aquele mundo, que eu sabia ser muito pouco glamuroso. Escutei por inúmeras vezes meu pai dizer que eu deveria ser advogada. Outros me olhavam com cara de decepção, alertando ser a profissão dos sem-horário, sem-dinheiro e sem-família.

Sempre estive disposta a lutar pelo que acredito, não só em relação à profissão. Por isso, críticas e conselhos contrários ao que eu queria não fizeram muita diferença e não me causaram noites de insônia nem crises existenciais próprias da época do vestibular. Apenas fortaleceram o que eu pensava, porque jornalismo é a profissão dos teimosos. Dos caras-de-pau, dos corajosos e de quem sonha em mudar o mundo, nem que seja através de uma nota no jornal. Jornalismo é a profissão de quem gosta de pensar, de quem valoriza a comunicação e as relações. É uma profissão de intrigas, de rivalidade, de competitividade. E eu me encantei por tudo isso!

“Ninguém que não tenha nascido para o Jornalismo e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte." (Gabriel García Márquez)

sábado, 25 de outubro de 2008

Política renovada

O Brasil é um país de política bastante desacreditada. Não há como discordar, pois é gritante o repúdio da população em relação aos políticos e seus atos. O limite do aceitável – se é que qualquer atitude ilegal e desonesta possa ser considerada minimamente aceitável – já foi atingido há bastante tempo. E essa moda de dizer que “político é tudo igual” e gritar aos quatro ventos “odeio política”, infelizmente, atingiu os jovens.

Igualmente a um mecanismo de defesa, jovens dizem que não se metem em política, como se o fato de não se importar fosse mudar alguma coisa ou causar algum tipo de revolta. Sinto informar. Não causa. O que acontece é que a indiferença dos bons abre caminho para os maus. Essa é a explicação para a política brasileira ter chegado aonde chegou. O descaso dos bons abriu portas para os corruptos, para os desonestos e para os dissimulados.

É por esse motivo que penso ser tão importante a atuação dos jovens na política. Chegou a hora de renovar, que fazer brotar as sementes que foram plantadas durante tantos anos em todas aquelas crianças e adolescentes que acompanharam campanhas, debates, comícios, carreatas, vitórias e derrotas. Idéias novas, novos líderes, gente que queira trabalhar, atuar, apoiar e inovar. É disso que a política precisa. De jovens! E o nosso país, nosso estado e nossa cidade não podem esperar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Aos meus amigos

Na correria do dia-a-dia, por muitas vezes, esquecemos do real valor que tem a palavra “amigo”. Amigo, amigo mesmo, aquele do peito. Conhecido é diferente.
E é aos meus AMIGOS que eu resolvi escrever. Para agradecer e ressaltar, mais uma vez, o valor daqueles que fazem parte de mim.

Vocês me ensinaram que eu nunca vou estar sozinha, independente de onde eu estiver. Porque tenho cada um em meu coração. Vocês são o motivo de risadas, das conversas, dos encontros. E não esqueço nunca de nenhum de vocês, seja os que eu vejo diariamente, que são poucos, ou os que eu vejo quatro, cinco vezes por ano.
Não esqueço daquele amigo para o qual eu ligo quando a coisa está feia, daquela que eu chamo para contar o que eu fiz ontem. Não esqueço do que eu deixo um recado no Msn falando que está sumido, para aquela que eu falo “tu entendeu”, e sei que fui compreendida. Não esqueço daquele com o qual eu tenho longas conversas, nem daquela que me liga bêbada de madrugada. Não esqueço dos que fizeram comigo as melhores festas, dos que fizeram parte da melhores tardes da minha vida. Não esqueço do que me ajudou quando eu menos esperava, da que ressurgiu depois de algum tempo desaparecida, nem das que passam a manhã me fazendo rir. Não esqueço dos de infância, dos de adolescência, dos antigos, dos novos.

E lembro, com imensa alegria, de tudo o que já passamos juntos. Da inocência de simples crianças apresentando um trabalho de escola, das conversas, sonhos e planos dos adolescentes, dos pactos que fizemos ao ver que a vida nos reservara destinos diferentes. Lembro das nossas descobertas e debates, das nossas conquistas, tristezas e alegrias. Lembro das festas, dos encontros, das palavras, das brincadeiras, dos abraços apertados. Lembro de cada mania, de cada promessa, de cada segredo. Lembro perfeitamente de tudo. Vocês são OS amigos. E de vocês eu não vou esquecer jamais!

Criminoso com ares de herói

Após uma constante, exagerada e cansativa cobertura do seqüestro de Eloá, a menina que virou santa após morrer com um tiro na cabeça, discutir o assunto e clamar por paz virou clichê. Culpar a polícia pelo acontecido também já virou costume nos debates. O órgão de segurança, concordo, não é isento, mas também não é o único culpado. O que dizer a da mídia?

Na era da informação instantânea, é tarefa árdua para um jornalista manter seu emprego em meio a tanta concorrência. Profissionais sedentos por furos e detalhes inéditos cobrem todo e qualquer acontecimento. Aos que, possivelmente, darão audiência, dispensam semanas divulgando fotos dos mais diversos ângulos, acontecimentos sórdidos e detalhes dispensáveis.
Muitos profissionais da comunicação, desde o início do seqüestro de Eloá e Nayara, agiram, e continuam agindo, como abutres rodando uma carniça. Semelhante ao caso da pequena Isabella Nardoni, jornais, programas de televisão, rádio e internet fizeram de um drama familiar uma disputa por audiência e poder.

É importante analisar, em um momento no qual todas as atenções estão voltadas à mídia, até que ponto ela influencia, positiva ou negativamente, casos com os quais não está preparada para lidar.

Lindemberg Alves é o nome do jovem que matou sua ex-namorada depois de mantê-la em cativeiro durante 100 horas. O que chama a atenção nesse caso é o fato de o seqüestrador acompanhar cada passo da polícia através dos meios de comunicação. A própria mídia alimentava as ações de Lindemberg. E o fez acreditar que era herói.
Apresentadores falaram com o garoto de 22 anos pelo telefone. Que tipo de preparo técnico, e até mesmo psicológico, tem um apresentador de televisão para falar com um criminoso durante um seqüestro? Nenhum. Esse tipo de comportamento apenas aumentou as dimensões do suposto poder do jovem.
Flashes constantes, entrevistas banais, longas conversas telefônicas e um insistente clamor pela liberdade das meninas fizeram com que Lindemberg Alves se considerasse “o cara”. Um claro exemplo da inconseqüência de profissionais que, certamente, contribuiu para o desfecho trágico do acontecimento que marcou os brasileiros.

Existe um caminho que leva ao reconhecimento e ao sucesso. Apelação e exagero, com certeza, não fazem parte dele. Competência e ética, sim.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Nostalgia

Eu lembro do meu Aquaplay. Quem não tinha um Aquaplay? Era simplesmente o máximo apertar aqueles botões e colocar as argolinhas nos pinos. Também tinha o Boca Rica, que vinha com moedas que ele guardava na barriga. Os meninos tinham skate de dedo, que depois virou roller e patinete, e conquistou as meninas. Famosas eram aquelas gelecas, que depois de alguns dias eram esquecidas e ficavam pretas, cheias de bichos e fedendo no fundo do armário das Barbies.

Aaaah, passar a manhã inteira assistindo Punky, Cavalo de Fogo, Power Rangers, Doug Funny, Cãezinhos do Canil, Os Muppets, Inspetor Bugiganga, Ursinhos Carinhosos e TV Colosso tomando mamadeira em frente à televisão. A preocupação do dia era o brinquedo que ia ser levado para a escola: roller ou bicicleta? Elástico ou Tazo?

Lua de Cristal, A Princesa Xuxa e os Trapalhões, Super Xuxa contra o Baixo-Astral. Mãããe, me leva no cinema de novo? Mãããe, vamos na locadora pegar uma fita da Xuxa? Eu quero a do Pequeno Pônei também! Depois a gente pode comprar uma roupa das Chiquititas, né?
Tinha também os Mamonas. E É o Tchan. Todos os domingos o Faustão perguntava: quem vai ser a nova loira do Tchan? A minha mãe não deixava eu escutar, eu só me atualizava quanto às novas questões musicais na casa dos outros. Hoje eu entendo por que... :P

Domingo era dia de almoçar na casa da vó, assistir ao Programa Silvio Santos e “Quem quer, quem quer, quem quer dinheirooo?”. Depois de almoçar e encher a pancinha com Coca-Cola em garrafa de vidro, era hora de a criançada se juntar ao redor do Nintendo pra jogar Mário, Donkey-Kong e Mickey. O Pense Bem, é claro, era o computador do momento. As coleções eram de surpresas do Kinder Ovo e das miniaturas dos jogadores da seleção. Que saudade!

Preocupação com seqüestros, mortes e assaltos não existiam. Crise econômica era expressão desconhecida, desemprego e violência faziam parte apenas do dicionário. Medo? Só do bicho papão.

Que tempo bom que, infelizmente, não volta nunca mais...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Adolescentes virtuais

Lembro de quando não existia Orkut nem Msn, e poucos eram os que usavam o bom e velho ICQ. Crianças de sete, oito anos não tinham celular nem passavam a madrugada fazendo print screen de suas conversas idiotas no Msn. Isso não faz muito tempo, minha pré-adolescência ainda era tempo de gente real. O virtual é bem atual mesmo.

O primeiro beijo acontecia depois de trezentos e quarenta e sete bilhetes trocados na escola e das incansáveis tentativas do menino, porque menina só tinha que esperar e aceitar. E também, eventualmente, desistir bem na hora, quando tudo já estava programado, todos os curiosos já tinham escolhido o melhor lugar para ver o espetáculo e o menino já tinha recebido todas as instruções dos amigos. Aí, a madame simplesmente não queria mais. Pois bem, não parece, mas era legal.
Era legal porque era difícil, tinha que ser muito cara-de-pau pra chegar em uma guria, porque a possibilidade de ouvir um sonoro “não!” era bem elevada. E para as meninas era legal porque sabia que era ela A guria, e não mais uma janelinha piscando na tela do computador. E ninguém reclamava nem pedia celular e computador no quarto pro papai pra mandar mensagem e recado programando a próxima ficada.

Mas aí chegou esse MSN e Orkut insuportáveis e tudo mudou. E nós, os acostumados com a cara-de-pau, mudamos também. Isso é chato!
Por isso eu penso, deveríamos boicotar os sites de relacionamento e programas de conversa em tempo real. Imagina só: os bilhetes em aula voltariam, os amigos pombos-correio também e todo mundo iria pras festas com aquela expectativa. Legal, né?

E não precisa vir com papo de globalização e notícias fresquinhas, nem dizer que meu pensamento é ultrapassado, porque eu estou apenas falando de ferramentas que tornaram as pessoas um simples perfil de Orkut com fotos bonitas e uma vida perfeita.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ociosas vaquinhas

No primeiro texto que postei, falei que gostaria de escrever sobre o passatempo das vacas. É um assunto idiota e fútil, eu confesso, mas devo admitir que realmente me chama a atenção. Por muitas vezes, principalmente naquelas longas viagens, nas quais se passa por campos verdinhos e intermináveis, eu vejo aquelas vacas deitadas, sentadas, comendo, olhando pro nada, sei lá. Enfim, não estão fazendo nada de interessante. E isso provoca, invariavelmente, uma profunda reflexão sobre a arte de fazer nada.

Sim, concordo, é legal passar a tarde inteira deitada no sofá olhando para a parede com os pés girando no ar – pelo menos eu gosto. É aquela agradável sensação de estar fazendo nada. Perfeito! Perfeito para quem tem, já nas próximas horas, um extenso cronograma de coisas a fazer. Mas aí, novamente, meu pensamento retorna às pobres vacas. Qual é a perspectiva de vida de uma vaca? Refiro-me às vacas, mas pode ser qualquer outro ser vivo irracional – se bem que vários racionais levam uma vida tão emocionante quanto a de uma vaca, mas isso não vem ao caso.

Um matadouro, talvez. Seria essa a perspectiva de vida da pobre vaca? Virar churrasco? Ou passar a vida inteira sentindo todo mundo apertando suas graciosas tetinhas todos os dias de manhã? Ou ainda, pode servir como progenitora e ver seus bezerrinhos prontos a se enquadrarem em alguma dessas alternativas. Claro, tem as que ficam famosas e vão pro comercial do Toddy, mas reconheço que realmente são poucas. Triste vida de vaca.

Escrever, simplesmente por escrever!

Há uns dois meses, algo me dizia, quase diariamente, que eu deveria fazer um blog. Penso muito nisso. Inclusive, já comecei a escrever vários textos, e nada! Escrevia três parágrafos, apagava. Pensava em uma frase, não gostava. Cheguei a comentar com uma amiga minha que escreve a admiração que tenho por ela pelo fato de conseguir, tão facilmente, a expor sua opinião.
Escrever sobre o quê? Meus sentimentos? Não, a idéia de me expor tão abertamente não me agrada. Meu dia-a-dia, quem sabe? Acredito que fazer um diário virtual não é a melhor das opções... Escrever, escrever... Sobre qualquer coisa!

Acho que é aí que está a diversão do blog. Escrever. Pelo simples fato de escrever. Mesmo que seja para mim. E agora, exatamente no momento em que me ocorreu esse pensamento, finalmente, depois de dois meses, minhas dúvidas quanto ao tema acabaram.
Quem precisa de assunto, quando o mais interessante é, simplesmente, escrever? É aí que está o prazer! Não precisa fazer sentido para ti, contanto que faça para mim. O famoso prazer individual, conhece? Um pouco egoísta, é verdade, mas não por isso menos delicioso.

Eu quero, somente, escrever. E agora, no fim do meu primeiro texto, aquela sensação desagradável de dever, a obrigação de escrever, aquela que me atormentou por dois longos meses, todos os dias, finalmente começa a passar.
Quero escrever sobre religião, política, esportes, assuntos polêmicos. Sobre meu cachorro que fugiu, minha tartaruga imortal e sobre a minha nota na última prova. Sobre minha infância, sobre qual o passatempo preferido das vacas, sobre o pão de queijo que eu comi no intervalo. Sobre conversas na faculdade, meu guarda-chuva amarelo, minha caneca do Mickey e sobre vontades inesperadas de tomar Coca em uma mamadeira.

Sem cobranças, sem sentido.