segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Meus dez minutos com o Lula

Se existe uma pessoa nesse mundo com quem eu gostaria de ter dez minutos para conversar, essa pessoa é o Lula. Não por eu achá-lo o líder incontestável, como é pintado por uns, nem o pobre vencedor, como julgam outros. Nada disso.

Queria mesmo é dizer umas verdades para ele. Enquanto escrevo essas palavras, no momento em que quase quebro o teclado com a força com que digito, penso nesse cara que o povo colocou no Palácio do Planalto. Penso, aliás, em todos esses caras que o povo colocou lá. Penso nesses bandidos que não têm o mínimo de escrúpulos, que mentem com uma cara de pau inacreditável, que me fazem querer quebrar a televisão, jogar o computador janela afora e bater na cara deles com um jornal.

Queria dizer para esse tal de Lula, que “nunca antes, na história desse país”, eu tive tanta vergonha de dizer que sou brasileira. Queria dizer para ele, também, que “nunca antes, na história desse país” vi tanta injustiça ser tratada como um assunto qualquer. Diria, ainda, que “nunca antes na história desse país” quis chorar de raiva do povo que te colocou onde hoje tu estás. Por último, Lula, seu jumento gorducho, eu gritaria, bem no teu ouvido, tudo o que andam fazendo por aí, bem debaixo do teu narizinho. Aí, quem sabe, tu pararias com essa hipocrisia de dizer que “não sabe de nada”.

Sete segundos da minha própria Lagoa Azul

“Se não existisse dinheiro no mundo, eu não precisaria estudar, porque de qualquer maneira eu não seria rico.”

Ouvi essa frase do meu irmão. Dezesseis anos e uma vontade sobrenatural de passar o dia matando pessoas via computador enquanto imita o Lula e o Sílvio Santos ou canta Ursinho Pimpão e músicas do gênero. Por um momento, talvez por 7 segundos, pensei que ele pudesse ter razão.

Foram sete segundos bem interessantes, para falar a verdade. Me imaginei construindo uma casa como eles fizeram na Lagoa Azul, pescando e nadando no mar como foi na Lagoa Azul, descobrindo rituais macabros na floresta, como eles descobriam na Lagoa Azul e tomando banho no rio com cachoeiras que tinham até uns tobogãs naturais, como na Lagoa Azul. Achei o máximo.

O sétimo segundo foi o último de deslumbramento. Depois, pensei que não leria mais jornal, que meu celular, meu iPod e meu notebook não existiriam nem na minha imaginação e que eu não poderia viajar, nem postar no blog, nem dormir com ar-condicionado e muito menos jogar Bubble Shooter. Me lembrei de que não teria televisão para assistir CQC e que, que tristeza, o CQC nem existiria. E eu ainda teria que viver comendo frutas. Era só o que me faltava.

“Fica quieto, guri. Vai estudar!”

Uma força maior que tudo

Foi um sorriso triste. Ainda assim, foi um sorriso. De saudade, provavelmente. Uma saudade longe dos clichês de “que tempo bom que não volta nunca mais.” O meu tempo volta, sim. Na verdade, ele não volta, ele apenas está, ainda, para chegar.

Um mundo de gente diz, todos os dias, que tempo bom é aquele que passou, e eu insisto em discordar desse tipo de afirmação. Tempo bom é o que estar por vir, pôxa! Vai olhar para trás por que?
Não nego e não esqueço dos inúmeros e homéricos turbilhões quais passei e afirmo que sempre encontrei coisas boas depois daquilo que julguei ser intransponível. Estou viva. Tenho marcas, somente. E garanto, todas me fizeram ser melhor.

Tive comigo, sempre, uma força que me fez ver que havia algo esperando. E não há experiência negativa que não comprove a extrema inteligência do velho ditado popular “há males que vem para o bem”. Com uma pequena modificação, digo “os males sempre vem para o bem”.

Resta deixar para trás o que passou, que o que vem por aí, por mais difícil que seja, vem para me fazer crescer. Que venham outras tempestades. Comigo, apenas uma força. Uma força maior que tudo.