Dizem que o livro impresso irá desaparecer. Dizem, ainda, que os jornais migrarão para a tela do computador e que as revistas deixarão de chegar semanalmente à caixa de correio das casas de seus leitores. O papel já não vai mais dar lugar às palavras. Lugar de informação será na tela do computador. Ou do Kindle, a nova ferramenta para leitura de e-books.
Existem, entretanto, aqueles que não abrem mão do bom, velho e conservador impresso. Sequer cogitam utilizar o Kindle e abominam qualquer possibilidade de passar uma tarde em frente a uma tela de computador lendo uma obra literária, seja ela qual for. Essas pessoas querem livros. Querem jornais de verdade. Querem o cheiro das páginas, a textura das capas, querem as palavras ali, em suas mãos.
O impresso sempre despertou em seus leitores um sentimento que beira a paixão desvairada. Ele exige o toque e a química, como os relacionamentos de verdade. O virtual, para esses, já nasce fraco, nasce distante, não tem a força da presença. É como ler jornal na internet: cômodo. E desde quando paixão sobrevive à comodidade?
Uma série de motivos podem tranqüilizar aqueles que temem pelo fim do impresso. A agilidade com a qual as notícias vão parar nas páginas iniciais dos sites de veículos de informação é assustadora. Porém, embora a agilidade seja um dos pontos fortes da internet, a busca pelo furo quase que instantâneo sujeita o jornalista ao erro. Por outro lado, a periodicidade constante de uma publicação impressa permite que cada assunto seja aprofundado e que o leitor tenha acesso a um conteúdo seguro, apurado e revisado.
Outro aspecto capaz de aborrecer leitores de jornal que resistem ao virtual é a limitação de uma tela de computador. Enquanto um jornal possibilita uma visualização completa de suas páginas, a configuração do computador obriga o leitor-internauta a passear descontroladamente por uma página muitas vezes bastante confusa. Jakob Nielsen, em Inverted Pyramids in Cyberspace, afirma que apenas 10% dos leitores de páginas da web utilizam o scroll, que o leva até o final da página. Esse dado prova que o usuário de serviços de informação pela internet busca, apenas, uma informação sucinta e objetiva. O aprofundamento do fato é tarefa esperada de um jornal impresso, que criou essa característica justamente com o objetivo de fugir do prejuízo causado pela expansão da internet.
É inevitável render-se às novas tecnologias. Ainda assim, a magia de uma grande biblioteca, a harmonia de uma estante lotada de obras do século passado e o cheiro inconfundível de um jornal recém-impresso ainda surpreendem. E, juro, não troco por nada nesse mundo a possibilidade de sonhar acordada ao ter em mãos um antigo exemplar de um grande clássico da literatura, com cheiro de mofo e mordidas de traças.
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