quarta-feira, 24 de março de 2010

O maior paradoxo da sociedade

Talvez a palavra tenha passado a ser tolerada, e aqui nasce um desconfortável paradoxo. É possível que seu significado seja, agora, ignorado. Mais provável ainda é que, com o passar do tempo, a maioria das pessoas tenha se esquecido de refletir sobre um substantivo abstrato com força suficiente para causar grande abalo à concretude das relações pessoais.

Equivocadamente, a sociedade deixou-se levar pela hipocrisia de estar aberta ao novo. Ativistas criam debates acalorados sobre homofobia, mulheres passaram a denunciar maridos agressivos e a discriminação racial leva pessoas para trás das grades. Ainda assim, a intolerância é causadora de sofrimento. O ser humano não aprendeu a lidar com a diferença.

Existe uma linha tênue entre a tolerância e seu tão conhecido antônimo. Aceitar nem sempre está relacionado à aprovação de determinada atitude ou forma de pensamento. O que acontece, entretanto, é que se tornou lugar-comum autodeclarar-se defensor das diferenças. Porém, a mente da humanidade ainda não está preparada para o novo. O novo assusta.

A intolerância tolerada é, hoje, uma das grandes responsáveis pela sanidade da maioria dos relacionamentos. Mais uma vez, é impossível deixar de citar o imenso paradoxo que aqui se instala. Ao aceitar uma atitude caracterizada como intolerante, é possível que se evite alimentar um ciclo interminável. Intolerantes não escutam. Intolerantes não entendem. Intolerantes devem ser tolerados. Pelo menos até que entendam que o dever de quem convive é, sempre, tolerar.

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