quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Santa, o Assassino e a Heroína (de novo e pela última vez)

A Eloá foi esquecida. Não, isso não é uma ironia. Ela foi esquecida mesmo. Lembram das semanas passada e retrasada, quando plantões davam as caras de 30 em 30 minutos na televisão? Lembram da Record transmitindo o seqüestro em tempo integral? E do Fantástico, que transformou nossa querida revista dominical em uma análise detalhada do seqüestro? E agora? Acabou. Podem dizer o que eu também estou pensando: ATÉ QUE ENFIM!

Até agora não consegui entender o porquê de todo o alvoroço em relação àquela história. Todos os dias, em diversos lugares do Brasil e do mundo, seqüestros, mortes, estupros e assaltos acontecem. Todos os dias, debaixo do nosso nariz, tem alguém sofrendo. Não defendo essas atitudes, é claro que não. Mas então, por que transformar justamente aquele seqüestro em um dos fatos do ano? Esqueceram de todos os outros que sofrem? E não digam que o caso serviu de lição, porque isso seria uma injustiça para com os outros que, então, teoricamente, teriam “sofrido em vão”. Refiro-me às outras adolescentes que foram mortas por seus namorados, aos filhos espancados pelos pais, aos pais massacrados pelos filhos. Isso acontece todos os dias! Volto a dizer: eu tenho coração. Só não me conformo com o fato de UM seqüestro ter alcançado tal repercussão, enquanto tantos outros dramas são esquecidos (eu também não quero ver um seqüestro em tempo integral toda semana. Eu quero notícias úteis, e não sensacionalismo).

Outra coisa: não defendo Lindemberg. Sua atitude é condenável e ele deve pagar pelo que fez. Porém, o que eu condeno, acima de tudo, é a maneira como essa história foi contada ao telespectador: Eloá, a menina santa, morta por seu namorado; Lindemberg, um jovem calmo e trabalhador, que revelou um lado animalesco nunca antes visto; Nayara, a corajosa menina que voltou ao cativeiro para salvar sua melhor amiga.
Que triste, que comovente! Eloá, que Deus a tenha. Morte ao Lindemberg! Viva Nayara!

Minha opinião: Eloá deu motivos para o que aconteceu. É claro, Lindemberg estava desequilibrado e, certamente, não tinha noção da proporção que sua atitude poderia tomar. Mas ela deu motivos. Culpados são os dois, ele muito mais, é claro, mas culpados são os dois. E Nayara? Fiquei com nojo dela depois que a vi sair do hospital com um ursinho de pelúcia no colo e sorrindo. Sim, sorrindo. Ela havia acabado de sair de um seqüestro, sua dita melhor amiga estava morta e ela estava sorrindo. E também pediu para receber uma visita do Pato. Quem sabe ela não é convidada para atuar na próxima novela das sete, também.

5 comentários:

kilder disse...

é...realmente! o sequestro teve uma repercussão bem grande!!! mas nao sei...vai ficar esquecido, o povo nao tem muita memoria!!!!

legal o comentario!

kilder disse...

valeu pela visita!! entao...acho que sao pensamentos, decepções, lembranças meio chatas...tudo no mesmo texto. Sinto que precisava "exorcizar" isso...atraves dos textos fica mais fácil!!!!!

bj

Marcelo disse...

Todo mundo faz a garota de vítima, mas ela tem sua responsabilidade e parcela de culpa também. Muito bom seu texto e a opinião nele empregada por você.

http://tchannannan.blogspot.com/

Rafaela Kley disse...

AH QUE TU SEGUIU A MINHA DICA!
:D Retratou muito bem o que conversamos esses dias!

Atilon disse...

é... nem ia falar nada e tal mas, só toma cuidado com uma coisa, se tens o sonho de ser jornalista, só não si deixa levar pelo "midiacronico compulsivo" q os levam a fazer de uma noticia uma antropofagia fuleira. (rs, muitos rs)

gostei de verdade!