sexta-feira, 10 de abril de 2009

Minha eterna infância

Acordei com vontade de tomar Coca-Cola na mamadeira. Normal, se eu não tivesse 18 anos. Na verdade, não julguei minha vontade como anormal, mas a cara com a qual minha mãe me olhou deixou um pouco receosa quanto ao meu desejo. Ainda assim, julguei ser necessário levar minha vontade adiante, mas não encontrei qualquer objeto que fizesse menção a minha época de bebê no armário.

Meus 18 anos não me fizeram achar que Rá-Tim-Bum é chato e eu continuo achando Sailor Moon o máximo. E que não apareçam psicólogos dizendo que isso é trauma de infância, porque eu garanto que não é.
Eu ainda peço para minha mãe me por para dormir, eu ainda brigo com o meu irmão e não consigo ficar acordada até muito tarde, salvo exceções. Eu ainda leio gibi, as músicas da Xuxa e do Balão Mágico estão nas mais tocadas do meu Ipod e eu assisto vídeos de desenho no You Tube. E, se for para brincar de alguma coisa, eu juro, prefiro ser café-com-leite. Sou criança mesmo, e daí? Adultos são chatos. E sérios.

Não é sinal de infantilidade. É completamente verdadeiro e nada preocupante. Quem sabe eu ainda julgue importante cultivar a criança dentro de mim. Que anda bem viva, por sinal.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Uma verdade perturbadora

Impossível ficar sem escrever. Parece que sufoca e dá vontade de vomitar. Na verdade, a ânsia por dizer certas coisas, tanto boas quanto ruins, vem me provocando esse tipo de sensação, ultimamente. E, já que escrever é, sim, melhor e mais verdadeiro do que falar, aqui estou, vergonhosamente, depois de mais de um mês. Lamentável. Todavia, utilizando o bom e velho clichê, antes tarde do que nunca. Esse post faz parte do meu conturbado mas, ainda assim, extremamente sincero e verdadeiro retorno.

Passei por uma pequena crise existencial em relação ao meu blog e, por um momento, cogitei a idéia de abandoná-lo ou, ao menos, bloqueá-lo para visitas. Isso porque esse mundo virtual, e eu já disse isso em outras ocasiões, me parece demasiado hipócrita. Eu, sinceramente, não estou aqui para me promover. Eu estou aqui porque gosto. E se tu, leitor, julgares necessário e interessante comentar qualquer coisa, sobre qualquer texto, faça-o. Mas não espere retribuições, não quero ser mais um número inútil e mentiroso em teus comentários.

Talvez essa atitude seja um pouco egoísta, ou até mesmo egocêntrica. Mas essa é uma idéia que me persegue desde o momento em que comecei a escrever aqui, e percebi que muitos comentários são uma tentativa (sempre frustrada, a quem possa interessar) de receber algo em troca. Desculpem, mas o meu objetivo é outro, meu objetivo é escrever, porque é disso que eu gosto. E isso, eu tenho certeza, é muito maior do que uma simples autopromoção.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ainda é o início

Ela sonhou mais um pouco, chorou mais um pouco, viveu mais um pouco. Os dias passaram. Um a um, trouxeram consigo dúvidas e questionamentos. Trouxeram inquietude e ansiedade. Ela precisava pensar, mas não sabia sobre o que. Precisava parar, mas não sabia como. Apenas precisava.

Sentia a falta de algo, ainda que tivesse tudo. Sentia a falta dos sentimentos, embora eles estivessem à flor da pele. Sentia falta do sorriso, mesmo que ele estivesse sempre presente em seu rosto. Riu. E lembrou-se do tempo em que o riso era fácil. Os tempos eram outros.

Ela sabia que a infância havia passado, que a adolescência já não estava mais presente. Havia chegado a hora de crescer. Ela não queria, mas sabia ser necessário. Não se pode ser criança para sempre, pensou. Percebeu que o que a espera é grande. Ainda é desconhecido, ainda é assustador. Ainda é o início. Mas sabe ela que é único e inevitável, e, por isso, é maravilhoso. Só resta esperar.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Hora de parar

Final de ano é, sempre, agitado. É a época em que todo mundo corre de um lado para outro, faz as últimas provas, revisa os trabalhos, conclui as tarefas de última hora que o chefe pediu e compra o presente para o 3º amigo secreto da semana. Nesse clima insano os dias passam sem que as pessoas se dêem conta. Até que, de uma hora para a outra, tudo acaba. E nada mais atrapalha.

Nada, nada mesmo. Os compromissos já não são mais tão inadiáveis. Na verdade, eles nem têm mais hora para acontecer. É... Talvez eles nem sejam mais compromissos. Comprar pão antes que a padaria feche não é algo que eu, particularmente, considere um compromisso.

Está chegando aquele tempo no ano em que as pessoas precisam parar. E elas param. É só passar essa correria do Natal e do Ano Novo, época dos supermercados lotados de apressadinhos em busca de um peru ou da última garrafa de champanhe da prateleira. E passa.
Daqui a pouco, 1º de janeiro. Então, chega um dos dias mais bucólicos do ano Quer olhar a Sessão da Tarde, deitado no sofá, podendo dormir a qualquer momento? Pode. Quer sair para jogar futebol na beira do mar depois da novela das 6? Tudo bem. Quer ficar o dia inteiro jogado na cama curtindo a ressaca da noite anterior? Como quiser.

O ano pode ter sido difícil e estressante, o trabalho pode ter irritado e criado intrigas. Você pensou que não ia conseguir. Mas conseguiu. E essa paz recompensa tudo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Apenas o início

Sentada na última fila, encostada na parede, ela era o número 17 da chamada. Detestava as aulas de física, dormia nas de matemática e conversava nas de química. Contava os dias para o fim do ano. Queria se livrar daquela monotonia. Queria algo novo, queria mais. Queria sentir gosto pelo que fazia. Aguardava o fim do que prendia, do que sufocava, do que era inútil.

Chegou a pintar, em um sonho, a vida perfeita. Faria o que quisesse, e somente isso. Não precisava de mais. Guardou, como fotografias, as lembranças de tudo o que havia passado, que julgava não ser o bastante. O sonho não devia parar por ali. E não parou.

Eis que o mundo novo, tão sonhado, chegou. Mostrou-se cruel, insensível, ardil. Fez saber que não havia espaço para os ruins. Aliás, os medianos eram esquecidos também. Ela, entretanto, não deixou de acreditar. Nunca. Decepcionou-se, se surpreendeu. Chorou, sorriu. Esperou. Acreditou. Continua acreditando.

Mal sabe ela que esse é apenas o início. Tudo o que a aguarda é muito maior.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O lixo dos que não criam

Não gosto de pessoas sem personalidade. Repugna-me quem precisa de uma idéia de outro para criar a sua. Tenho medo dos que precisam basear-se em alguém para criar. Que esteja, um dia, livre o mundo dos sem-criatividade!

A internet dá base para a cópia. Assusto-me com a quantidade de copiadores descontrolados que aparecem todos os dias em perfis de Orkut, páginas de Blog, MySpace, enfim. Eca.
Tenho nojo de frases tiradas de livros nunca lidos, de poses fotográficas cuidadosamente baseadas em uma idéia que não é própria. Fico atônita ao comparar perfis parecidos de pessoas completamente diferentes ou imagens descaradamente roubadas de outra pessoa. Algo te impede de pôr o amigo cérebro para funcionar?

O mundo não precisa de versões bem pensadas e, muito menos, de cópias bem feitas. Quem ganha, agora, são os criativos, os ousados e os inovadores. A originalidade supera muita coisa. A personalidade, mais ainda. O que tu tens de novo para mostrar? Quais são teus novos pensamentos, teus novos sentimentos, tuas novas opiniões?

Eu quero me orgulhar do que eu fiz, do que eu pensei, do que eu criei. Não quero que o meu sucesso tenha a essência de outra pessoa. Quero mostrar o que eu sinto e o que eu sei, e não que acabei de ver em qualquer lugar por aí. O fácil e o pronto, a quem possa interessar, já perderam a graça há muito, muito tempo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quando reconhecimento é palavra esquecida

Cheguei a achar que tudo que eu julgava certo era, realmente, o certo. Que tudo o que eu imaginava ser errado era, sim, errado. Que o que eu pensava ser o melhor para mim seria, também, o melhor para os outros.

Não sei denominar bem esse sentimento, mas talvez seja egocentrismo. Admito, sou um pouco egocêntrica mesmo, mas, de certa forma, eu soube transformar isso em uma qualidade negativa (exatamente: qualidade negativa). Não me pergunte o que é isso e também não me pergunte como eu consegui; eu não sei, juro! Sei lá, talvez eu tenha convertido egocentrismo em autoconfiança.
Ainda assim, acabei por me decepcionar com situações e pessoas. Expectativa demais sobre determinados fatos me fizeram prever equivocadamente alguns resultados e, infelizmente, acabei me frustrando.

O que mais tem por aí é gente frustrada consigo mesma. Acreditam ser os mais inteligentes, os mais talentosos, os mais tudo. No fim, quebram a cara. Talvez tenha acontecido comigo agora. Não que eu pensasse ser a melhor. Claro que não. Mas talvez eu tenha me dedicado demais a algo que para os outros era insignificante. Para mim, valia muito. Para os outros, valia nada. E reconhecimento, aqui, é palavra que ficou completamente esquecida.

Penso ser difícil, mas extremamente necessário admitir uma frustração. Também detesto textos de pseudo-filósofos que saem por aí pregando lições de como ser uma pessoa melhor. E assim, sem nenhuma espécie de manual, negando qualquer conselho de moralistas de plantão, eu vou vivendo. Isso porque agora eu sei que vida boa mesmo é aquela em que até decepção vira aprendizado.